O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 18/08/2020
Com o advento da Terceira Revolução Industrial, há a criação de um novo modelo produtivo, o Toyotismo, o qual incentiva à troca de produtos com auxílio da forte propaganda. Entretanto, com o consumo acelerado, o lixo produzido aumentou e a partir disso, o descarte indevido tornou-se uma problemática. Isso se revela nos impactos ambientais causados por esse ato, seja pelas contaminações, seja pelo escoamento superficial provocador de enchentes.
Em primeiro lugar, vale ressaltar as contaminações causadas pelos lixões. A parafrasear Milton Santos, a globalização estabeleceu um abismo entre as classes vigentes, dessa forma, pelas desigualdades existentes, ainda há pessoas sobrevivendo em lixões. Desse modo, com a falta de informação a respeito do descarte adequado dos insumos produzidos, o ambiente torna-se espaço para enfermidades, pois o lixo atrai insetos e ratos que podem ser vetores de doenças, além de realizar a poluição do solo. Outrossim, no curta-metragem “Ilha das Flores” retrata as filas dos sobreviventes para receberem alimento, visto que o espaço do lixão não é ambiente propício para alimentação, porém, recebem o resto dos porcos, fomentando assim as disparidades existentes.
Sob esse viés, cabe ainda salientar como o escoamento superficial traz impactos para o meio ambiente e para a população. Na sociedade contemporânea, há a estereotipação do povo brasileiro, que é visto como mal educado. Isso se dá pelas atitudes recorrentes de deixar o lixo em praias e ruas, causando o entupimento de bueiros e valas. Sendo assim, quando há precipitação forte as enchentes permeiam por todo o país, principalmente, nas capitais, onde há maior concentração de pessoas e lixo gerado. Dessa maneira, muitas pessoas ficam desabrigadas e água da chuva não segue seu fluxo para infiltração no solo. Por consequência, essa atitude contrapõe-se a ética utilitarista de Jeremy Bentham, o qual a ação deve proporcionar o maior bem-estar para a maioria.
Portanto, urge ao Ministério do Turismo, com apoio do setor privado, criar um programa de transformação de lixões em aterros sanitários. Isso ocorrerá com a participação de empresas com verbas e contratações dos sobreviventes para construção, em troca de isenções legislativas, objetivando diminuir a contaminação, com intuito de aumentar a qualidade de vida. Ademais, o Poder Legislativo, deve multar os indivíduos que jogarem o lixo em espaços públicos, adicionando coletas seletivas. Dessa forma, o utilitarismo começará a fazer sentido no Brasil.