O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 20/08/2020
Na obra “Utopia”, do escritor Inglês Thomas More, é retratado uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o grande acúmulo de lixo que se observa na realidade contemporânea é oposto do que o autor prega, uma vez que este problema do lixo apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da falta de infraestrutura, quanto da cultura do consumo excessivo. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desse aspecto a fim do pleno funcionamento da sociedade.
Precipuamente, é fulcral pontuar que o acúmulo de resíduos em área inadequada deriva não só do descarte de forma equivocada da população, mas também da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismo que caibam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido à falta de atuação das autoridades, o elevado nível de contaminação do solo e da água, é consequência da baixa infraestrutura no processo de descarte do lixo. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.
Ademais, é imperativo ressaltar que a cultura do consumo e a obsolescência programada são os principais fatores para o elevado nível de produção de lixo na sociedade contemporânea, aproximadamente 99% das coisas que percorrem o sistema são lixo em menos de 6 meses. Partindo desse pressuposto, a produção de lixo é um sistema linear e o nosso planeta é finito. Tudo isso, retarda a resolução do empecilho, já que a cultura do desperdício contribui para a resolução desse quadro deletério.
Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática na sociedade brasileira. Dessarte, com o intuito de mitigar o problema do lixo, necessita-se, urgentemente, que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Ministério do Meio Ambiente, será revertido em fiscalização da postura dos municípios quanto a reciclagem e a coleta adequada dos resíduos sólidos, através de palestras e reuniões com a participação de profissionais devidamente qualificados. Ademais, cabe a família modificar suas ações, separando de forma correta o lixo gerado dentro de suas residências, facilitando o trabalho dos profissionais responsáveis pela coleta destes. Desse modo, atenuar-se-á, em média e longo prazo, o impacto nocivo do lixo, e a coletividade alcançará a Utopia de More.