O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 20/08/2020
Na produção cinematográfica “O clube da luta”, a personagem Tyler Durden se apresenta como anti-herói da sociedade de consumo, revoltado com a indústria midiática que amplifica o consumismo, Tyler se posiciona como a personificação “hollywoodiana” do enfrentamento a um capitalismo selvagem que sacrifica o meio ambiente em prol do lucro. Entretanto, tal narrativa não se prende somente aos filmes, no capitalismo brasileiro contemporâneo, industrias comentem injúrias contra a natureza e corroboram com um desnecessário consumo, o que abre um necessário debate sobre o lixo e a sociedade de consumo no Brasil, intensificados pela mídia capitalista e pela notável negligencia estatal. De fato, a mídia participa diretamente do intenso consumo brasileiro, principalmente de bens supérfluos, já que, segundo sendo a Associação Brasileira de Agências de Publicidade, ABAP, um adulto consome mais de seis horas de propagandas por dia em todos os meios de comunicação, o que cria um ambiente favorável ao extremo consumo desnecessário, culminando em uma extrema geração de lixo. Além disso, a anexação de sentimentos, como a alegria e afeto, aos produtos resulta em uma extrema pressão psicológica aumentando o impulso do consumismo, que atrela comprar a ser feliz. Ademais, a Política Nacional dos Resíduos Sólidos, PNRS, instituiu a troca do modelo de “lixões” para aterros sanitários, que possuem maior segurança e descarte apropriado para o lixo da população. Todavia a negligencia dos governos municipais com o lixo fez com que apenas dez municípios cumprissem a legislação no término da troca em 2014. Tal fato resulta em uma extrema poluição dos lixões freáticos e rios, além de serrem grandes vetores de doenças parasitarias e bacterianas, como leptospirose, doença que causa grandes danos renais e hepáticos.
Dessa forma, é inquestionável interferência midiática no consumo e a negligencia municipal no descarte de lixo, o que resulta em uma destruição do meio ambiente e um corpo social extremamente consumista. Sendo assim, faz-se necessário que Governo Federal, por meio do Ministério da Economia, crie uma plataforma de incentivos de crédito para os municípios que utilizam o aterro sanitário no lugar de “lixões”, ofertando taxas e prazos de pagamentos subsidiados. Em conjunto, o Ministério da Educação deve instituir matérias direcionadas ao ensino básico sobre consumo adequado, afim de conscientizar a geração futura acerca do extremo consumo de bens supérfluo. Com isso, teremos um melhor descarte de lixo aliado a boas práticas de consumo.