O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 24/08/2020

O documentário espanhol “ Comprar, tirar, comprar” denúncia a inconsequente prática empresarial da obsolescência programada que objetiva o estimulo do consumo exagerado. Assim, essa política não só fomentou a cultura do consumismo, como também determinou a produção exacerbada do lixo, o que trouxe diversos prejuízos ambientais e sociais.             Em primeira análise, é sabido que a indústria manipula os clientes a aumentarem a frequência de compras. Nesse sentido, o documentário supracitado demonstra como os produtores de lâmpadas mudaram a duração de um item que, em 1920, era de 2500 horas para as atuais 1000 horas. Destarte, compreende-se que ao tornar um bem obsoleto criou uma sociedade de consumo no Brasil e uma quantidade inimaginável de resíduos que, obedecendo apenas os interesses econômicos, são indevidamente descartados.

Em segundo plano, convém salientar que, infelizmente, o lixão é o mais frequente tipo de disposição final dos resíduos. Uma vez que o lixo é jogado a céu aberto, sem obedecer a nenhum critério sanitário, causa problemas ambientais, como a contaminação da água e dos solos e promove o surgimento de vetores patológicos que assolam as camadas sociais mais marginalizadas. Nesse contexto, o filósofo Hans Jonas afirma em seu livro “ O princípio responsabilidade” que o cidadão deve agir eticamente para a manutenção das próximas gerações. Dessa forma, o pensador revela que a sociedade deve convergir para a preservação do meio ambiente, sobretudo, adotando medidas sustentáveis no quesito disposição do lixo.

Portanto, com a finalidade de amenizar os efeitos de uma sociedade de consumo que erroneamente descarta seu lixo, cabe ao Ministério da Saúde, visto que é a pasta responsável pela promoção e proteção da saúde no território nacional, fomentar campanhas que informem a população sobre os problemas da má disposição dos resíduos, mediante a utilização de linguagem compreensível.