O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 30/08/2020

“Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.” Essa frase do químico Antoine Lavoisier representa, na química, a Lei da Conservação das Massas. Tal conceito aplica-se, também, aos ciclos naturais da Terra, onde toda a biosfera sofre suas transformações naturais e volta ao início, gerando harmonia entre os seres vivos. Contudo, a presença do homem moderno e suas manipulações dessas transformações, visando manter seus ideais consumistas, gerou distúrbios no ciclo, tornando crescente a produção de resíduos e o despejo desses no ecossistema. Desse modo, é necessária a busca por caminhos para o combate dessas ações, haja vista as decorrências da problemática para a sustentabilidade ambiental.

Em primeiro lugar, salientado pelos meios midiáticos e padrões sociais, o consumismo exacerbado do século XXI é um evidente obstáculo para a sustentabilidade, sendo um dos principais geradores de malefícios à biosfera. Ainda seguindo o princípio dos ciclos da natureza, é possível considerar a sociedade do consumo como uma linha unilateral, onde mais produtos são produzidos, consumidos e não reciclados, indo direto ao descarte, quebrando, então, a harmonia ecológica do ambiente. Tal conceito é ressaltado pelas pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), afirmando que a não presença de seres vivos no rio Tietê, em São Paulo, é ocasionada pelo acúmulo de resíduos, industriais e populacionais.

Em segundo lugar, convém analisar a participação governamental perante a problemática. É fato que a crescente aglomeração de detritos é consequente do consumo de produtos descartáveis, cada dia mais presentes no cotidiano social. A descartibilidade torna-se um dos dispêndios ambientais e tal infortúnio pode ser amenizado com ideias, em teoria, simples, como a realização da coleta seletiva municipais pelo país. Todavia, o Governo falha na adoção de tais medidas, fato evidenciado pela pesquisa realizada em 2016 pelo Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre), revelando que apenas 18% dos municípios brasileiros possuem coleta seletiva.

Infere-se, diante do exposto, que a relação entre o lixo e a sociedade de consumo no Brasil é notória, sendo, portanto, uma problemática que urge por resoluções. Para isso, é viável a participação do Ministério Público com fiscalização às empresas de CNPJ ativo, estimulando a prática de atitudes sustentáveis, como a reciclagem da matéria-prima e métodos produtivos que evitem o desperdício e despejo de resíduos no meio. Ademais, cabe ao Ministério do Meio Ambiente, junto às secretarias estaduais, a ampliação da coleta seletiva pelo país, não só na prática como também por meio de propagandas midiáticas, visando auxiliar a população na reciclagem, seguindo o princípio de Lavoisier.