O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 24/08/2020

No filme de 2008 “Wall-e”, um robô é responsável por recolher e empilhar os lixos deixados pelos seres humanos na terra, ele é o único a permanecer no local, pois os hábitos de consumo desenfreado tornaram impossível a vida no planeta, gerando como única alternativa, viverem em uma nave longe de tamanha poluição. Na narrativa, fica claro o desejo do indivíduo, de estar longe dos poluentes, sem a busca por alternativas para deixar de produzi-lo, analogamente á realidade. Fora do mundo distópico, o problema de lixo, consequente do consumo se vê, de fato, atrelado a enraizada educação de modismo e a inércia para com medidas de desenvolvimento sustentável.

Em primeiro lugar, é importante destacar que a alta produção de detritos, é fruto da falsa necessidade de consumo diário. Isso porque, mediante a forte propagação de ideias capitalistas, como veiculação de propagandas, desde a infância, de bens de consumo, o indivíduo cresce sob a ótica de compra, em que se atinge felicidade e satisfação instantânea, através de aquisições financeiras. O cenário não muda quando se chega á vida adulta, pois se vê no produto, um meio para conquista de status e prestígio. Consoante a falsa necessidade citada, está a facilidade que objetos plásticos permitem, por exemplo, no dia-a-dia de pessoas que buscar máxima dedicação ao trabalho. Percebe-se, portanto, o impacto da enraizada educação de modismo, que fomenta, o consumo desnecessário.

Ademais, o falho sistema de projeções, que visam o correto descarte de lixo, contribui para a manutenção do atual cenário, pois as medidas vigentes são ineficazes, e fazem com que, por muitas vezes, esgotos sejam descartados, sem tratamento, em rios, e até mesmo lixos que poderiam ser reciclados, são misturados com os não recicláveis, o que torna a seleção um processo menos eficiente. Segundo a revista “Exame”, países como Austrália e Alemanha, reciclam mais de 60% dos lixos produzidos em seus territórios, no Brasil esse valor cai para 13%. Fica claro então, o cenário inerte de mobilização para o desenvolvimento sustentável.

Com o intuito de amenizar a vigente cultura de consumo, faz-se necessário, que o Ministério da Educação adicione à grade curricular do ensino fundamental um, dois e ensino médio, a educação ambiental, por meio de aulas que ensinem práticas conscientes, como o correto descarte das diferentes categorias de lixo, em suas respectivas lixeiras, e até mesmo propor o plantio de árvores, para que junto a elas, se desenvolva uma consciência sobre o impacto direto das ações do indivíduo no meio ambiente. Somente assim, será possível combater a cultura de degradação ambiental no país e, ademais, evitar o esgotamento dos recursos naturais, que, assim como a sociedade do filme “Wall-e” causou, a sociedade brasileira vem provocando.