O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 24/08/2020
Desde que a Crise de 29 abalou a economia mundial fez-se necessário a substituição do modelo fordista de produção, e o novo modelo implantado para o mercado foi o Toyotismo, que veio para atender as novas necessidades, adaptando-se aos consumidores com a política do “estoque zero”. Assim, foi criado o Ciclo da Obsolescência Programada, que consiste em criar produtos de ótima qualidade porém pouco duráveis, estimulando a sociedade de consumo. Desse modo, observa-se como o consumismo exagerado vem a ser um enorme problema para o meio ambiente, por conta da grande quantidade de lixo que cria com os descartes contínuos, sendo imperante a criação maneiras de solucionar esse problema.
Segundo Thomas Hobbes, a essência do ser humano é ser egoísta, e isso está notoriamente presente na ganância dos consumistas da modernidade. Nesse cenário, com o culto ao novo, produtos bons que poderiam durar anos passam a ser descartados em tempos curtíssimos e de modo irregular por conta do COP. Tal realidade faz com que o produto comprado jamais satisfaça as necessidades dos consumidores, pois logo aparecerá outro mais novo e mais convincente, influenciando descartes e acelerando a geração do lixo. Um fato alarmante relacionado a isso é que, de acordo com Plano Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), o Brasil produz hoje 80 milhões de toneladas de lixo por ano, o que encheria 206 estádios do Morumbi, e isso prova que a sociedade do consumo no país precisa mudar drasticamente suas ações.
Consequentemente, o desenvolvimento do consumismo sem a criação de políticas adequadas de destinação do lixo levou a um descarte desenfreado em lixões e à carência da cultura da reciclagem. De acordo com o relatório da Organização das Nações Unidas, o Brasil é o maior produtor de lixo eletrônico da América Latina e o 7º maior do mundo, e apenas 3% de todo o lixo do país é reciclado, segundo o PNRS. Isso é extremamente preocupante pois, devido à composição química dos equipamentos, muito desse lixo eletrônico é tóxico ao ambiente, visto que a maioria é descartado em lixões a céu aberto, liberando uma grande quantidade de gases tóxicos no ar e no solo. Assim, é inegável que esses resíduos poluem cada vez mais a natureza e comprometem a vida saudável da população que respira esse ar.
À luz desses fatos, é visível como a sociedade do consumo está afetando o meio ambiente e, portanto, é fundamental criar medidas para resolver essa problemática. Para isso, é preciso que o Ministério do Meio Ambiente, com apoio das prefeituras, crie uma política de coleta seletiva obrigatória nas cidades, visando honrar os 3 R’s da sustentabilidade: reduzir, reutilizar e reciclar. Ademais, o Governo Federal deve implantar uma política que utilize a decomposição do lixo como potencial energético para gerar energia que, além de tirar o lixo da natureza, utiliza-se de uma fonte limpa. Dessarte, espera-se uma sociedade consciente de suas ações, diminuindo o consumismo e a poluição residual no meio ambiente.