O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 24/08/2020

O filme Wall-e é uma animação, em que retrata a humanidade, futuramente, depois de ter entulhado a Terra de lixo e poluir a atmosfera com gases tóxicos, deixou o planeta e passou a viver em uma nave. Fora da ficção, a realidade apresentada não será diferente, visto que, segundo o Fundo Mundial para a Natureza (WWF) o Brasil é o 4º maior produtor de lixo plástico do mundo. Isso ocorre tanto devido à cultura do consumismo e desperdício quanto pela falta de infraestrutura do governo.

Em primeira análise, a crescente demanda da população brasileira por se manter com os produtos mais novos do mercado, atua como agravante desse quadro conforme o sociólogo Zygmunt Bauman denota na obra “Vida para consumo”. Nessa perspectiva, as relações de mercado, sob viés econômico e comercial, têm utilizado propagandas apelativas de marketing para o incentivo e estímulo do cidadão à compra, as quais se centram na desvalorização e preenchimento imediato de produtos. Desse modo, a continuidade desse ciclo de inovações impõe a alienação ao consumidor, a qual percebe-se a busca por bens materiais mais modernos, que impulsiona as empresas a produzirem mais, em que necessita de mais matéria-prima e, consequentemente, gerando uma maior produção de lixo e desperdício.

Outrossim, vale ressaltar, que o descompromisso do Estado com suas obrigações com a preservação do meio ambiente, é considerado um ato anti-constitucional, o qual pode ser observado, pelo descumprimento do Artigo 225 da Constituição Federal de 1988, que caracteriza o ecossistema equilibrado como um bem de uso comum e essencial à sadia qualidade de vida. Contudo, ao se deparar com as atitudes tomadas pelas grandes empresas, sem devida penalidade, o governo começa a realizar desmatamentos em prol do desenvolvimento econômico, em que influência mais empreendimentos a cometerem o mesmo ato.

Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para resolver a questão do lixo e a sociedade de consumo no Brasil. O Ministério da Educação deve proporcionar aulas sobre educação ambiental e consumo sustentável nas escolas, através de palestras com profissionais capacitados, livros didáticos e atividades extracurriculares, a fim de que os alunos possam aprender a consumir de maneira sustentável, como também saber como descartar o lixo e reutilizar produtos velhos. Além disso, o Ministério da Agricultura e do Meio Ambiente em parceria com o Poder Judiciário deve punir empresas que promovem o desmatamento e colocam em risco a diversidade florestal brasileira, por meio de leis ambientais e fiscalização das atividades dessas instituições, para que mude a postura de tais indústrias perante o desflorestamento que realizam no meio ambiente. Somente assim, o Brasil se torne mais sustentável e ecológico para a sobrevivência da humanidade