O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 25/08/2020

No filme Wall-E, é explanada a realidade da Terra após a humanidade deixá-la inabitável. Na trama, os seres humanos não se preocupam com o futuro global, produzindo lixo e gases tóxicos de maneira expressiva. Contudo, apesar da utopia cinematográfica, há vertentes que não estão desvinculadas do século XXI. Dessa forma, a sociedade já percebe os resultados negativos oriundos da ineficiência pública e civil acerca dos excessos de resíduos, bem como os impactos ambientais recorrentes.

Em primeiro plano, sob a ótica do sociólogo Zygmunt Baumann há a teoria de que o problema não é ser consumista, mas sim não saber parar de consumir. Sendo assim, a máxima é vinculada ao capitalismo e ao excesso de lixo na contemporaneidade, já que é notável que a população consome mais do que necessita em virtude das influências midiáticas. Outrossim, os indivíduos não possuem conhecimento sobre os métodos de reciclagem e os malefícios gerados a partir do descarte inadequado das substâncias, o que compromete a qualidade dos processos de reaproveitamento. Nesse sentido, com o advento da Era Moderna, aliada, posteriormente, à globalização e ao consumo não consciente, a temática do filme Wall-E está cada vez mais próxima da realidade brasileira.

Paralelo a essas constatações, é fato que a inobservância estatal é precursora dos agravantes relacionados ao lixo. A má gestão pública referente aos lixões, arraigada à falta de projetos que envolvam a logística reversa ou o apelo ao consumo consciente, são fatores fundamentais para a elevação dos problemas ambientais, como o aumento do efeito estufa. Além disso, de acordo com o físico Isaac Newton, toda ação gera uma reação de mesma intensidade e, nesse espectro ambiental, um governo cético e sem visões sustentáveis não conseguirá transparecer ao povo pensamentos progressistas. Isso culminará, a longo prazo, na ignorância social, no descaso com o lixo produzido e no aumento das ações antrópicas.

Diante dos fatos supracitados, medidas devem ser tomadas para minimizar os impactos negativos. Logo, cabe aos veículos midiáticos, junto ao Ministério do Meio Ambiente, a tarefa de repassar informações a respeito da reciclagem e os malefícios do excesso de lixo, por meio de propagandas - transmitidas nos horários das telenovelas, período de maior audiência -, à vista de conscientizar os cidadãos sobre as formas de reciclagem e as vantagens da adesão. Ademais, compete às Câmaras Municipais a tarefa de incentivar a logística reversa, por intermédio de incentivos fiscais fornecidos às empresas, para que todas da região possam aderir ao reaproveitamento de embalagens, com o fito de auxiliar a produção baseada na proteção ambientalista. Assim, espera-se que o pensamento de Baumann seja compreendido na nação verde-amarela.