O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 28/08/2020

De acordo com George Bernard Shaw, dramaturgo irlandês, sem compreender o capitalismo não se pode compreender a sociedade da maneira atual que existe. Sob tal ótica, é possível afirmar que o lixo e a sociedade de consumo decorrem diretamente do capitalismo, que, para manter a movimentação da economia, criou métodos de produção que incentivassem o consumo exagerado. Assim, tais métodos agravaram ainda mais o acúmulo de lixo e ocasionaram diversas consequências sociais, como doenças relacionadas ao consumo inconsciente e excessivo.

A priori, a obsolescência programada é um método causador do acúmulo de lixo. O cenário da animação “Wall-e”, que teve sua estreia em 2008, passa-se em uma Terra desabitada por humanos e que funciona como um grande depósito de resíduos. Fora da ficção, a realidade atual está se aproximando cada vez mais da retratada no filme. A produção de lixo aumenta mais a cada ano e, de acordo com uma matéria publicada no Estadão em 2019, essa produção tem avançado com um ritmo maior do que a infraestrutura para o descarte devido. A principal causa desse aumento é a obsolescência programada, que torna o produto obsoleto, de forma proposital, muito antes do esperado, fazendo com que seja necessário a troca por novos produtos, gerando ainda mais lixo.

Além disso, outro aspecto a ser abordado é como o consumismo ocasiona diversas doenças psicológicas à sociedade. O consumo inconsciente pode fazer com que algumas pessoas adquiram doenças relacionadas às compras, como a Oneomania, em que a pessoa se endivida e não consegue quitar devido ao distúrbio relacionada ao consumo excessivo, e a Síndrome de Diógenes, em que o indivíduo tem tal apego pelos bens materiais que não consegue se desfazer dos produtos antigos e nem parar de comprar produtos novos. Assim, o consumismo relaciona-se também a uma questão da saúde, pois tais distúrbios só podem ser controlados e resolvidos por  meio de atendimento médico.

Portanto, para que a problemática seja amenizada, é necessário que o Estado, a sociedade e a mídia ajam para que ocorra a devida conscientização acerca do consumismo e as implicações ambientais e sociais do tema, por meio da divulgação das consequências do consumo exagerado e principalmente das doenças relacionadas às compras, seja por campanhas educativas obrigatórias nos horários comerciais da televisão aberta ou por meio das redes sociais. Do mesmo modo, divulgar o fornecimento de auxílio psicológico de profissionais especializados da rede pública a fim de que as pessoas que já estejam passando por tal situação tenham a quem recorrer ajuda. Ainda, o Poder Legislativo deve criar leis que punam empresas que pratiquem a obsolescência programada e diminuam a vida útil do equipamento em mais da metade da vida ideal, visando ao menos diminuir essa prática e seus efeitos.