O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 30/08/2020
O filósofo Jean Baudrillard diz que a sociedade contemporânea se organiza em torno do consumo, ou seja, o consumismo constitui a base da estrutura social. Essa sociedade de consumo é um dos principais motivos para a crise do lixo no Brasil. Outro fator que intensifica essa crise é o descarte inapropriado dos resíduos, o que contribui para o agravamento de problemas ambientais.
Deve-se destacar, de início, como um dos fatores, o consumo desenfreado da população. Desde o advento da Revolução Industrial, no século XVII, houve um aumento da produção e do consumo de bens, intensificado principalmente com a difusão mundial do American Way of Life, modelo de vida americano, nos anos 50. Esse modelo ilustra a ideia de uma vida feliz alcançada por meio da aquisição de bens materiais. Com isso, os indivíduos passaram a consumir mais, e consequentemente produzir mais lixo. Isso demostra, portanto, que o ato de consumir está ligado somente a satisfação do usuário, pois o mesmo não se responsabiliza pelas consequências dos atos.
Além disso, outro fator que contribui para a crise do lixo é o descarte incorreto. Segundo relatório da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais , Abrelpe, o país tem quase três mil lixões funcionando nas cidades brasileiras. O lixo descartado de forma incorreta nos lixões produz um líquido tóxico, chorume, que infiltra no solo poluindo os lençóis freáticos, o que contribui para a degradação ambiental. Com isso, é notável que a lei que diz que os lixões do Brasil deveriam ter sido fechados até 2014, não foi seguida pela sociedade.
Portanto, a fim de solucionar os problemas que intensificam a crise do lixo no país, é necessário que o Governo Federal promova uma fiscalização mais abrangente da coleta e do descarte do lixo, por meio de visitas aos locais que realizam essas ações. Caso seja necessário, o Governo deve aplicar advertências e multas para as empresas e estados que não cumprirem com a lei. Ademais, o Governo deve promover a conscientização da população, por meio de palestras e cursos, apresentando reflexões que visam a mudança da mentalidade do indivíduo, assim, combatendo o consumismo descontrolado. Espera-se, com isso, que o direito da sociedade de ter o meio ambiente ecologicamente equilibrado, garantido pela Constituição Federal, seja assegurado.