O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 25/08/2020
Sabe-se que na animação cinematográfica “Wall-E” a Terra é retratada como um local desabitado devido a alta concentração de lixo. Assim, por causa da poluição e da ausência de vegetação, não há condições de seres vivos sobreviverem no planeta, sendo portanto, obrigados a habitarem naves espaciais. Essa história fictícia, aproxima-se do futuro da sociedade brasileira se atitudes não forem tomadas para amenizar a contaminação do meio ambiente. É notório que o consumo exacerbado inconsciente provoca danos a longo prazo para o mundo. Dessa forma, medidas são necessárias para combater o cenário problemático, como a fiscalização dos lixões e o investimento na reciclagem.
Em primeiro plano, deve-se analisar o porquê do assunto ser tão debatido na atualidade. Após a Guerra Fria, na segunda metade do século XX, houve a disseminação do sistema capitalista no mundo, o que contribuiu para a formação de indivíduos cada vez mais consumistas, que adquirem novos produtos e descartam os antigos de forma inadequada. Além disso, o uso de materiais de difícil reaproveitamento são usados em larga escala, por exemplo o plástico, presente na maioria dos produtos e nas embalagens. Assim, é válido parafrasear Albert Scheweitzer que dizia viver em um mundo perigoso, em que o homem domina a natureza antes que tenha aprendido a dominar a si mesmo, ou seja, usufrui do meio ambiente sem controle, apenas para atender às práticas capitalistas.
Em vista disso, é possível perceber as consequências do infortúnio. De acordo com a Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), o Brasil produz, em média, 79 milhões de toneladas de lixo por ano. Essa informação permite analisar que a Política Nacional de Resíduos Sólidos - lei que prevê a redução da poluição, por meio de propostas sustentáveis - não é totalmente eficaz, uma vez que a produção de lixo no país cresce de forma exagerada. Além disso, os lixões clandestinos sem fiscalização são existentes no Brasil, o que gera riscos à saúde dos brasileiros e ao meio ambiente, em razão da contaminação do solo e da proliferação de doenças, que afetam, principalmente, os catadores que entram em contato com os materiais.
Portanto, medidas são necessárias para minimizar o impasse. Logo, cabe ao governo federal a tarefa de promover a reciclagem dos resíduos sólidos, por meio do investimento em coletas seletivas eficientes, a fim de que a extração do meio ambiente reduza, visto que as matérias-primas serão reutilizadas, e também que o descarte adequado reduza a contaminação do solo. Outrossim, compete ao Ministério da Justiça o dever de fiscalizar os lixões, através de funcionários responsáveis em visitar e documentar a situação do local mensalmente, a vista de garantir a segurança dos moradores e da natureza. Assim, espera-se que o planeta Terra desabitado e poluído exista apenas no cinema.