O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 26/08/2020
O filme “Wall-E” ilustra um futuro distópico no qual a intensa exploração dos recursos naturais e o descarte inadequado de resíduos tornam o planeta inabitável. Fora da ficção, a inércia do governo brasileiro no que tange a implementação das leis ambientais fomenta a intensificação de práticas prejudiciais à natureza. Assim, é mister reconhecer as influências do consumismo e da alienação da população a respeito das questões ambientais para a perpetuação da intensa produção de lixo.
Dessa forma, nota-se o capitalismo como responsável pela naturalização da sociedade de consumo. Assim, o atual modelo econômico se utiliza de práticas como a disponibilização de crédito, a propaganda e até a obsolescência com o intuito de formar indivíduos imediatistas que não reflitam a respeito da real necessidade se adquirir novos produtos. A partir disso, o consumo irracional, segundo o pensamento do sociólogo Émile Durkheim, se torna um “fato social” enraizado na sociedade, intensificando a produção de lixo e seus riscos à população e ao meio ambiente.
Desse modo, vale ressaltar o desconhecimento de parte da sociedade brasileira sobre esses riscos gerados pela intensa produção e descarte inadequado de lixo. Segundo a Organização das Nações Unidas, o Brasil possui a maior taxa de descarte de aparelhos digitais da América Latina. Porém, esse tipo de informação, bem como a ameaça de contaminação do solo, da água e proliferação de doenças não são difundidos no país, o que mantém a população alienada e retarda a formação de uma consciência ecológica que coopere na mudança de hábitos dos indivíduos, os quais poderiam pressionar o governo na busca por mudanças.
Portanto, urge que o Ministério da Comunicação atue conscientizando a sociedade brasileira a respeito do consumo e da produção de resíduos. Dessarte, é mister que especialistas disponham de rádios, televisão e feiras em escolas, nos quais alertem sobre os riscos e quais medidas devem ser tomadas para um consumo racional e descarte correto do lixo. Assim, através de cidadãos engajados, a distopia de “Wall-E” será inviável.