O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 25/08/2020

Desde o advento da Revolução Técnico-Científica, no século XX, o lixo é a estruturação de uma sociedade fortemente consumista, quando mesclados, se tornaram problemáticas globais. É nesse contexto em que surge a obsolescência programada, em que novos produtos são fabricados para que os anteriores se tornem obsoletos e estimule o comércio. No Brasil, como prova disso, os impasses relacionados ao lixo estão se destacando, seja pelos poucos recursos empregados pelo Estado na manutenção sustentável dos resíduos bem como pelo consumo exacerbado da população, o que corrobora para o desequilíbrio ambiental. Dessa forma, é válido apresentar os motivos que ainda amparam tal problemática visando abranda-los.

Primeiramente, é necessário reconhecer que, com a consolidação do capitalismo, após o final do século XX, as relações passaram a girar em torno do mercado. Dessa forma, o indivíduo, introduzido em um contexto de produção em massa, passou a enxergar no produto adquirido seu status social. Outrossim, os hábitos de consumo exagerados, que marcam a sociedade brasileira, constroem um cenário desafiador. Isso devido ao fato de que as pessoas adquirem produtos em quantidades, além da real necessidade e logo descartam aqueles que não terão nenhuma serventia, concomitantemente causando sérios danos aos ecossistemas. Prova disto, são os resultados da pesquisa realizada pelo Instituto Akatu. Apontando, que entre os 1.090 entrevistados – homens e mulheres como mais de 16 anos – 76% não praticam o consumo consciente.

Em decorrência disso, a produção de lixo resultante do consumo desenfreado tem provocado inúmeros impactos socioambientais. Uma vez que conforme o cientista Antoine Lavoisier: “Na natureza nada se cria, tudo se transforma”, todo bem material descartado resulta num acúmulo de lixo, uma vez que o mesmo simplesmente não desaparece depois da coleta. Nesse sentido, cabe destacar a negligência estatal com a questão. Como prova disso, uma pesquisa feita pela Universidade de São Paulo (USP), demonstra que ainda são mínimos recursos destinados à manutenção sustentável do lixo, e poucos aterros sanitários que conseguem realizar a separação do gás metano dos aglomerados descartados. Agravando o efeito estufa e problemas com enchentes e contaminações de solo e água.

Portanto, cabe inicialmente à sociedade buscar o desenvolvimento de um “consumo consciente” buscando adquirir apenas o que é realmente necessário e definir a maneira de utilizar e descartar o que não serve mais, além do hábito de separar os bens inutilizados para que possam ser reaproveitados. Em adição, é preciso que o Estado elabore políticas públicas voltadas para a manutenção dos resíduos, com recursos avançados afim de reduzir os impactos ambientais ocasionados pelo lixo.