O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 25/08/2020

No filme estadunidense ‘‘Wall-e’’, é retratada uma realidade distópica em que a humanidade deixa a terra após destruir o ecossistema terrestre pela intensa produção de lixo decorrente da alta demanda de consumo. Fora da ficção, é fato que a perspectiva apresentada pela obra americana pode ser relacionada ao atual cenário ambiental brasileiro, uma vez que a escassez de consciência crítica da população sobre o próprio consumo assemelha-se à conjuntura de ‘‘Wall-e’’. Assim, é imperiosa a ampliação de medidas para minimizar esse quadro que se perpetua pela falta de análise sobre o consumo exacerbado, o que corrobora para o alto descarte de resíduos materiais.

Ainda sobre essa problemática, é válido ressaltar a ausência de julgamento crítico social sobre a constante necessidade de compra e troca de produtos que proporciona uma alta produção de lixo. Sob a ótica do filósofo alemão Arthur Schopenhauer, o desejo humano de ter é insaciável, uma vez que quanto mais se tem, mais se desejar obter. Nesse sentido, o desejo ilustrado por Schopenhauer assimila-se ao anseio permanente de consumo o que se torna um fator preocupante para a degradação do ecossistema, já que essa ânsia não tem fim.

Por consequência, observa-se o aumento do descarte de resíduos materiais ocasionados pela alta demanda de compra. Consoante à pesquisa elaborada pelo Fundo Mundial para a Natureza (WWF), o Brasil é o quarto país no mundo que mais produz lixo. Nessa perspectiva, a carência de análise sob a ação aquisitiva demasiada configura-se como um ponto alarmante para perdurar o exorbitante acúmulo de lixo e a posição brasileira estimada.

Diante do exposto, é evidente que a displicência populacional sobre o insaciável anseio de compra e sua ilação ambiental é uma problemática que deve ser debatida. Dessa forma, o Ministério do Meio Ambiente, responsável pelo estudo e despacho de todos os assuntos relativos ao ecossistema brasileiro, em parceria com as escolas do país, deve implementar um plano de estudo crítico sobre o consumismo e seus efeitos na produção de resíduos descartáveis, por meio da oferta gratuita à população local de palestra e oficinas que incentivem a redução do consumo, mas também a reutilização de materiais, a fim de instaurar o senso crítico sobre o poder de compra em demasia e reduzir o descarte de lixo. Dessa maneira, o futuro do país diferenciar-se à da distopia descrita em ‘‘Wall-e’’.