O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 28/08/2020
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que o lixo e a sociedade de consumo dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da negligência governamental, quanto do sistema de produção capitalista. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.
Primeiramente, é importante pontuar que as grandes quantidades de lixo produzido derivam da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido à falta de atuação das autoridades, o Brasil é campeão de geração de lixo dentre os países latino americanos, representando 40% do total gerado na região de acordo com a ONU Meio Ambiente. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.
Ademais, é imperativo ressaltar o sistema capitalista de produção como promotor do problema. De acordo com Zygmunt Bauman, a sociedade de consumo prospera enquanto consegue tornar perpétua a não-satisfação de seus membros. Partindo desse pressuposto, a não suficiência de um produto se transforma na necessidade de produzir outros, o que leva a uma produção em larga escala, exagerada. Tudo isso retarda a resolução do empecilho, já que essa característica capitalista contribui para a perpetuação desse quadro deletério.
Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática na sociedade brasileira. Dessarte, com o intuito de mitigar a enorme produção de lixo pela sociedade de consumo, necessita-se, urgentemente, que o Governo Federal, por mediação das prefeituras de cada cidade, aumente e fiscalize as coletas semanais de lixo através do direcionamento de verbas e equipamentos adequados para tal trabalho. Complementarmente, cabe as Instituições privadas que adotem modelos de produção sustentáveis, de modo a se preocupar com as consequências ambientais. Dessa maneira, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo do lixo gerado pelo consumismo, e a coletividade alcançará a Utopia de More.