O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 28/08/2020
Segundo o escritor José Saramago, a contemporaneidade é configurada sob uma cultura de banalização, em que tudo refere-se ao consumo. Partindo dessa perspectiva, questiona-se os exagerados hábitos consumistas dos indivíduos, cujo comportamento insustentável fomenta a problemática do lixo no Brasil e reafirma a ideia do autor citado. Assim, é viável destacar a prática do consumismo como o principal agravador desse imbróglio, provocando a intensificação da produção de lixo no país.
Em primeira análise, é válido reconhecer o consumismo como grande empecilho na detenção da geração de resíduos no Brasil. Tal cenário pode ser fundamentado no conceito do sociólogo Zygmunt Bauman de “modernidade líquida”, em que nada é programado para durar. Logo, os consumidores são estimulados a realizar compras compulsivamente para sua satisfação pessoal, além de serem ludibriados pela obsolescência programada de grandes empresas na comercialização de mercadorias. Tal fato resulta na formação de cada vez mais lixo, exigindo intervenção.
Por conseguinte, verifica-se uma elevação na quantidade de resíduos no país. O filme “Wall-E” retrata um futuro distópico em que a humanidade é impossibilitada de habitar a Terra devido à poluição e ao acúmulo de lixo no planeta. De maneira análoga à ficção, nota-se que o Brasil vivencia uma situação de precariedade, na qual uma pessoa produz 1Kg de lixo por semana, segundo dados do jornal G1. Paralelo a isso, o amontoado de lixo produzido pela sociedade é despejado em lixões, aterros sanitários e outros. Em suma, urge a necessidade de combater tais adversidades.
Dado o exposto, torna-se necessário a adoção de algumas medidas, a fim de amenizar esse viés. Portanto, cabe ao Ministério do Meio Ambiente promover intervenções de educação sustentável nas escolas, para que, por meio de palestras, os jovens conscientizem-se sobre o consumismo e o descarte adequado do lixo de acordo com os 3 R’s. Tal proposta incentiva bons hábitos de consumo, priorizando a reciclagem, a reutilização e a redução do lixo. Assim, o futuro previsto por “Wall-E” não se concretizará.