O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 28/08/2020
O sociólogo polonês, Zygmunt Bauman, contextualiza que o consumismo não é mais associado à satisfação das necessidades, mas ao incontrolável desejo de se obter, cada vez mais, o máximo de coisas possíveis, corrompendo as relações humanas. Dessa maneira, a consumo em massa aumenta de maneira desproporcional e o desenvolvimento de lixo, causados por esse desejo de consumo, tomam proporções alarmantes. Portanto, importante se torna discutir sobre o lixo e a sociedade de consumo no Brasil, a fim de sanar problemas relacionados à grande quantidade de lixo produzido pela população e o seu descarte irregular.
Em primeira instância, vale ressaltar que o aumento da produção em massa se deu, em grande parte, durante a Segunda Revolução Industrial, proporcionado pelo surgimento das máquinas e a introdução dos novos meios de produção. Ademais, urge mencionar que as industrias aumentavam e, acompanhando-as, os produtos também foram fabricados em larga escala, o que aumentou o consumismo e o auxiliou a avançar no meio social. O desenvolvimento do Fordismo e Taylorismo fizeram com que a velocidade de produção se tornaram velozes, dessa maneira, os índices de materiais descartados apenas se ergueram mais. Em síntese, as empresas passaram a produzir mais e as pessoas a comprar mais, alimentando o crescimento do lixo produzido em escala global.
Em segunda instância, torna-se imprescindível argumentar sobre o descarte irregular do lixo que, em grande parte do Brasil, não é realizado de maneira correta. Em princípio, é importante mencionar que, de acordo com o Instituto GEA, o lixo produzido no Brasil, principalmente nas grandes áreas urbanas, apresentam índices cada vez mais elevados e na cidade de São Paulo, por exemplo, são recolhidos 14 mil toneladas diariamente. Porquanto, a adesão da prática de coleta seletiva se torna necessária, para aumentar os índices de reciclagem e diminuir a quantidade de resíduo que perdem a característica de reutilização, por causa do contato com materiais contaminantes.
Posto isso, é de suma importância mencionar que o governo deve instaurar leis obrigatórias de adoção a medidas sustentáveis, como o descarte adequado e o reaproveitamento do lixo. Por conseguinte, as prefeituras municipais em parceria com as empresas privadas de coleta seletiva devem instaurar normas de obrigatoriedade relacionadas a separação do lixo para o descarte de maneira correta, evitando a contaminação dos materiais com potencial de reciclagem e reutilização. Além disso, o Ministério da Cultura deve promover palestras ou mutirões de reeducação sustentável, disponibilizando um conteúdo de ensino para todas as faixas de idade, visando a compreensão da importância do ato de reciclar e ensinar as práticas sustentáveis corretas para todos.