O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 30/08/2020

O filme “Wall-e”, da Pixar, traz um futuro distópico em que a terra foi completamente consumida pelo lixo dos seres humanos, restando apenas um robô coletor, encarregado de limpar o planeta. Fora das telas, o Brasil vive uma realidade despreocupada com a coleta e descarte dos resíduos, o que pode levar à uma realidade semelhante ao filme em alguns séculos. Sendo assim, é importante entender a importância da reciclagem e do consumo consciente para a manutenção da vida no planeta.

Em primeira análise, somente em 2018 o Brasil produziu cerca de 79 milhões de toneladas de lixo, o que ocorre, segundo Zygmunt Bauman, é que os produtos já são programados para se tornarem obsoletos em um determinado tempo, e isso, juntamente a uma mídia manipuladora que impõe a falsa ilusão de que o indivíduo precisa consumir muito para ser feliz, cria uma realidade a qual as pessoas preferem comprar -ou descartar- ao invés de consertar. Há então, uma intensa produção de lixo que é, muitas vezes, descartado de forma indevida.

Em segunda análise, a quantidade de lixo reciclado na país ainda é muito pequena. Devido à ineficiência governamental em gerir os recursos destinados a esse setor, apenas 3% dos materiais com potencial de reciclagem passam por tal processo, o que gera não só prejuízos ambientais, como poluição dos solos e rios, mas também uma grande perda econômica, já que diversas corporações de reciclagem poderiam lucrar e gerar empregos. Além disso, a coleta seletiva ainda é pouco desenvolvida, principalmente nas periferias das grandes cidades.

Dessa forma, afim de reduzir os impactos negativos causados pelo lixo, o Ministério do Meio Ambiente deve criar pontos de coleta seletiva eficiente nos bairros, para facilitar o processo de descarte e reciclagem. Outrossim, o Ministério da Educação deve criar materiais informativos, juntamente com palestras, que ensinem as crianças desde pequenas a importância do consumo consciente e do descarte correto do lixo. Para que, talvez assim, o Brasil e o mundo tenham um destino diferente do retratado em Wall-e.