O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 28/08/2020
No livro “Ensaio sobre a cegueira”, o autor José Saramago cita os diferentes tipos de cegueiras existentes - como a ética, a moral e a cultural. Hodiernamente, é fato que essas cegueiras estão presentes no Brasil quando o assunto é o lixo e a sociedade de consumo. Assim, seja pela obsolescência programada, seja pelo consumo alienado, essa problemática persiste e urge ser resolvida.
A priori, é indiscutível que a obsolescência programada contribui para esse cenário. Isso ocorre pelo fato de as indústrias produzirem as mercadorias com uma “data de validade” previamente programada, consequentemente, induzindo a compra de um novo produto. Parafraseando Thomas Hobbes, o homem é o lobo do homem. Desse modo, fica evidente que com tal estratégia de venda, o homem contribui para a acúmulo de lixo e a destruição do próprio ambiente em que vive.
Ademais, é válido ressaltar que o consumo alienado corrobora a permanência do impasse. Segundo estudos do filósofo Karl Marx, isso ocorre pois em uma sociedade capitalista os meios de comunicação induzem o consumo desenfreado, provocando uma falsa sensação de poder e de ascensão social. Com isso, o consumismo se acentua e leva ao aumento da produção de lixo.
O lixo e a sociedade de consumo, portanto, faz-se presente e necessita de intervenções. Assim, o Ministério do Meio Ambiente - aliado ao Ministério da Educação - devem incentivar o uso adequado dos recursos naturais e o consumo sustentável por meio de palestras e fóruns de discussão, a fim de desconstruir a sociedade de consumo existente e reduzir a produção de lixo no país. Dessa forma, será possível curar as cegueiras impostas por Saramago e exercer a cidadania como um todo.