O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 28/08/2020
O filme “Os Delírios de Consumo de Becky Bloom”, relata de forma descontraída o comportamento de uma compradora compulsiva: a jornalista Rebecca Bloomwood, que desde a sua infância era alvo das campanhas publicitárias e anos depois, fica desempregada e com uma dívida enorme, passando os dias inventando desculpas para fugir das ligações de cobranças, fingindo se desfazer da maioria de suas roupas e mentindo para justificar o seu descontrole. Analogamente, fora das telas, observa-se que a sociedade de consumo e a consequente geração de lixo, infelizmente, faz parte da realidade brasileira. Assim, seja pela ideologia consumista instaurada socialmente, seja pela falta de políticas públicas, a problemática continua afetando não só a sociedade, mas também a natureza.
Em primeiro plano, é importante salientar que uma das causas do entrave é a cultura de consumo. Isso acontece, principalmente, em virtude da obsolência planejada, uma vez que consiste na produção de produtos previamente elaborados para serem descartados, fazendo com que o consumidor compre uma nova mercadoria em breve. Nesse contexto, segundo Zygmunt Bauman, a humanidade ainda não começou a pensar com seriedade na sustentabilidade de uma sociedade movida a crédito e consumo. Sob esse prisma, constata-se que a redução da vida útil dos artigos é responsável não só pela produção de lixo como também pelo esgotamento de recursos naturais. Desse modo, é inadmissível, que um país signatário da agenda 21 permita que sua população padeça, contrariando a ideia que tal declaração defende.
Outrossim, é relevante destacar que a falta de políticas públicas também corroboram o agravamento da questão. Nesse ínterim, de acordo com Abraham Lincoln, a política existe para servir ao povo e não o contrário. Com efeito, em relação ao consumo sustentável o que se percebe é justamente a ideia oposta a que Lincoln defendeu, visto que não há um conjunto de ações, planos e metas voltadas para a resolução do problema. E, como consequência, há o acentuamento de uma chaga social que poderia ser solucionada se houvesse mais interesse do Estado.
Fica claro, portanto, que medidas devem ser tomadas para modificar o cenário vigente. Para tanto, as escolas, com apoio governamental, devem difundir esse assunto de maneira intensiva, de modo a usar documentários, palestras com especialistas, cartilhas e trabalhos escolares, que possam ensinar aos alunos os riscos do consumo excessivo, assim como aulas de educação financeira. Dessa forma, será possível descontruir o poder do estímulo midiático e formar consumidores conscientes na população, a fim de diminuir a degradação feita pelos resíduos e inibir práticas poluidoras, pois só assim a Becky Bloom não será mais um espelho das novas gerações.