O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 31/08/2020

Promulgada pela Onu em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos os indivíduos o direito à saúde e ao bem-estar social. Todavia, o lixo gerado por conta do alto consumo da sociedade brasileira impossibilita que uma parcela da população desfrute desse direito. Diante dessa perspectiva, convém analisar as principais causas do problema.

Conforme dito por Kant “o ser humano é aquilo do que a educação faz dele”. Consoante a fala desse filósofo, a educação é a melhor forma de ensinar uma sociedade como se portar em determinadas situações. Nesse contexto, pode-se relacionar o problema do lixo com a educação prestada nas escolas. A base comum curricular, que é desenvolvida pelo MEC, define o que será ensinado nas escolas, porém ela não possui um foco na educação ambiental. Sendo assim, as crianças não são amplamente ensinadas sobre o lixo e o consumismo, o que dificulta que as pessoas entendam o problema que isso causa e mudem suas atitudes.

Faz-se mister, ainda, salientar a necessidade de aceitação social como outro causador do impasse. Segundo os sociólogos Adorno e Horkheimer em sua teoria intitulada de “Indústria Cultural”, os cidadãos sentem uma necessidade de comprar coisas como premissa de que somente assim eles serão aceitos socialmente. Deste modo, as pessoas passam a adquirir produtos de forma exacerbada, sem importar com o lixo e com o impacto ambiental que esse consumismo gera, sendo que na maioria das vezes não há um senso crítico sobre a necessidade dessas compras.

Portanto, o Ministério da Educação deve reformular a base comum curricular, dando ênfase na educação ambiental. Para isso, podem ser acrescentadas aulas explicando sobre o consumismo e o lixo que ele produz, mostrando a consequência disso para o planeta. Além disso, devem ser realizadas palestras e rodas de conversas com psicólogos para falar sobre essa necessidade de aceitação, mostrando aos alunos que bens materiais não definem a importância da pessoa.