O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 30/08/2020
O consumismo é o hábito de adquirir produtos e serviços sem precisar deles, é a compra pelo desejo, e não pela necessidade. Geralmente, é marcado pelas compras por impulso e estimuladas pela ansiedade, em casos mais graves, pode vir a se tornar uma compulsão. Além disso, o consumismo está ligado à noção de que comprar mais vai trazer sensações de felicidade e prazer momentâneo. Sendo assim, para dar conta de uma demanda incessante por mais produtos e bens, é necessário produzir em altíssima escala. Desse modo, não há meio ambiente que aguente fornecer tanta matéria prima, receber uma quantidade tão grande de lixo e lidar com tamanha poluição.
Em primeiro lugar, deve-se compreender o impacto das compras excessivas em âmbito socioambiental, é com o consumismo que a produção de lixo também aumenta. Decerto, segundo o Panorama dos Resíduos Sólidos, foram coletadas mais de 71 milhões de toneladas de lixo no ano de 2016. Outro ponto a ser levantado, é que com o aumento da procura por produtos, mais recursos naturais precisam ser explorados para atender a essa demanda. Conforme o processo de produção dos bens e serviços aumenta, a degradação ambiental também cresce, muitas vezes ocasionada pela emissão de gases poluentes e a contaminação da água e do solo.
Outrossim, um dos fatores que impulsionam o consumo descontrolado é a chamada obsolescência programada, trata-se de uma estratégia dos produtores em desenvolver produtos que simplesmente param de funcionar ou se tornam obsoletos em um curto prazo de tempo. Assim, os consumidores são levados a adquirir versões mais novas do bem ou serviço em questão. Outro fator que influencia o crescimento do consumo descontrolado é a chamada Indústria Cultural, termo que foi criado na Escola de Frankfurt por Theodor Adorno e Max Horkheimer. Em síntese, eles chegaram à conclusão de que a Indústria Cultural obtém lucro a partir da imposição de padrões de interesses. Dessa forma, criam-se padrões de comportamentos de consumo para atender a demanda de venda das empresas.
Diante do exposto é notório que medidas precisam ser tomadas, é necessário, assim, que o Ministério da Educação em auxílio do Estado, invista em medidas de educação financeira, tais como o modelo de orçamento ABCD: Nesse tipo de orçamento a letra A representa gastos com alimentação e a letra B refere-se aos gastos básicos – como conta de luz, água e aluguel. Já a letra C indica gastos contornáveis, ou seja, despesas que podem ser cortadas caso seja necessário. Ademais, o gerenciamento das finanças pessoais e o consumo responsável devem ser ensinados desde cedo às crianças, infere-se também a importância de um desenvolvimento sustentável. Dessa forma, teremos consumidores mais conscientes e que saibam tomar decisões corretas durante as compras.