O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 31/08/2020
A animação “Wall-e” retrata um futuro distópico no qual o planeta Terra se encontra destruído pelo esgotamento dos recursos naturais, pela poluição e o acúmulo de lixo, se tornando um ambiente inabitável. Enquanto isso, os seres humanos restantes vivem reclusos no espaço, mantendo um modo de vida insustentável, consumista e sem esperanças de voltar ao planeta. Fora da ficção, tal fato se presente na sociedade brasileira, sobretudo na questão do aumento do lixo como reflexo de uma sociedade cada vez mais consumista. Seja pela influência das grandes empresas ou pela obsolescência programada de bens de consumo, esse problema ainda se mostra distante de ser solucionado.
A princípio, é válido ressaltar a influência da globalização e das grandes empresas no cotidiano das pessoas, uma vez que esses meios de comercialização utilizam de mecanismos, como filtragem de dados e planos de mercado, para estarem cada vez mais perto do cliente e conseguir a adesão do seu poder de compra. De acordo com o Jornal Estadão, 68% das vendas de multinacionais se dá por meio de comerciais televisivos e o produto chega aos centros de reciclagem cerca de até um ano após sua adesão. Desse modo, fica nítido o alto nível de compra dos consumidores e que tal ação contribui de forma significativa para o acúmulo de lixo nas ruas e que, muitas vezes descartado de forma incorreta, afeta diretamente o espaço geográfico e ambiental. Além disso, pode afetar toda sociedade com enchentes, proliferação de doenças e viroses além da acidificação das chuvas devido a ação indevidas desses agentes.
Paralelamente a isso, vale salientar a obsolescência programada como um dos causadores da problemática, já que é esse fator que define o nível de compra de um produto específico e as atualizações que ele sofre durante um determinado tempo. Dessa forma, fica claro que é criado um ciclo vicioso entre as relações dos usuários com a comercialização, já que as empresas, por interesses financeiros, lançam versões alternativas de um só produto em um curto período para incentivar a compra e a troca constante e descontrolada dos aparelhos, elevando por conseguinte o lixo provido da substituição dos mesmo e afetando a esfera global ambiental e social.
É necessário, portanto, que medidas sejam tomadas para resolver esse impasse. Cabe ao Estado desenvolver centros de reciclagem, com o intuito de diminuir o impacto do consumismo na quantidade de lixo dos centros urbanos e sua degradação ambiental. Além disso, o Governo também deve, através de agentes fiscalizadores, garantir que as empresas sejam responsáveis por oferecer locais adequados para descarte e reciclagem de produtos usados. Somente assim, o problema poderá ser solucionado.