O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 30/08/2020
Segundo o filósofo Zygmunt Bauman, “Não se pode escapar do consumo, faz parte do seu metabolismo. O problema não é consumir, é o desejo insaciável de continuar consumindo”. Nesse contexto, com o surgimento de novos produtos no mercado a população adere ao consumismo exagerado, produzindo um número elevado de lixo, dessa forma gerando consequências ao meio ambiente e na sociedade brasileira. Sob esse quadro, é necessário ter um olhar crítico a respeito do descarte do lixo no tecido social do Brasil a fim de propor soluções concretas e eficazes para solucionar esse problema.
A princípio, é importante analisar como o consumismo exagerado influência na produção elevada do lixo. É necessário reconhecer que, com a consolidação do capitalismo, sobretudo após o final do século XX, as relações passaram a girar em torno do mercado. Com isso, as mercadorias passaram a ser um luxo e aqueles que à adquirem pertencem a uma classe social elevada e isso se consolidou até a sociedade atual. Por exemplo o consumismo, em que as pessoas trocam um determinado item, em bom estado, para um que acabou de ser divulgado a fim de se manterem atualizados.
Em decorrência disso, a produção de lixo resultante do consumo desenfreado tem provocado inúmeros impactos no meio ambiente e na sociedade. De acordo com o levantamento inédito feito pela ABRELPE, Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública, o Brasil tem hoje quase 3 mil lixões ou aterros irregulares que impactam a qualidade de vida de 77 milhões de brasileiros, além disso prejudicam o meio ambiente e o solo principalmente, também tem ocorrência de enchentes em regiões mais pobres, pela falta de locais adequados para o descarte de resíduos sólidos. Dessa maneira, o grande consumo na sociedade faz com que seja eliminado toneladas de lixo e provocar impactos socioambientais no território brasileiro.
Com vista a diminuir o consumo e consequentemente o número de lixo no Brasil. É necessário inicialmente à sociedade buscar desenvolver o “consumo consciente", isto é, buscar o que é necessário na hora de escolher o que comprar, cabe ao governo expor os riscos de uma sociedade consumista através de propagandas e as escolas a ensinar aos alunos o consumo consciente por meio de palestras ou até por atividades durante as aulas, com a finalidade de transformar a sociedade hoje e as futuras gerações informadas sobre os riscos do consumo exagerado. Ademais, cabe ao governo promover incentivos fiscais às empresas para adotarem medidas de recolhimento de produtos descartáveis para o descarte adequado, a fim de estimular tal prática ecológica. Espera-se, com isso, uma melhoria efetiva no pensamento e no comportamento da população em geral.