O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 30/08/2020
O filosofo francês Sartre defende que cabe ao ser humano escolher seu modo de agir, pois este seria livre e responsável. No entanto, percebe-se a irresponsabilidade da sociedade, bem como do governo, no que concerne à questão do lixo e a velocidade do consumo no Brasil, que persiste influenciado por uma obsolescência programada, além da cultura do consumismo promovida pelo capitalismo.
Segundo a Associação brasileira de Empresas de Limpeza pública e resíduos (Abrelpe) a produção de resíduos anuais por habitante, no Brasil, é de 387 quilo gramas, todavia apenas 58% é destinado para o local correto, além disso somente 3% do lixo produzido é reciclado,ou seja transformado novamente em algo para utilização. O restante desses resíduos é despejado nos rios e mares ou em lixões a céu aberto. Segundo dados da ONU, Organização das Nações Unidas, aproximadamente 8 milhões de toneladas de lixo plástico são jogados nos oceanos anualmente, provocando a morte da vida marinha, poluição das praias, contaminação, dentre outros problemas.
Essa quantidade exagerada de lixo produzido está associada a uma cultura consumista impulsionada a partir do século XIX, com a Segunda Revolução Industrial, que promoveu uma maior produção, dessa forma mais consumo dos produtos. Somado a esse fator a obsolescência programada nos produtos eletrônicos, que pode ser definida como o desenvolvimento proposital de um produto que em pouco tempo se tornará obsoleto, fazendo com que o consumidor tenha que comprar outro e descartar o antigo, aumentando os resíduos gerados pela população. Além disso a falta de infraestrutura brasileira para a destinação destes lixos, devido aos baixos investimentos em limpeza pública e coleta seletiva.
Considerado o maior produtor de lixo da América Latina por um estudo realizado pelo Fundo Mundial para a Natureza (WWF), o Brasil produziu, no ano de 2018, cerca de 79 milhões de toneladas de lixo, sendo que desses resíduos 6,3 milhões de toneladas não foram recolhidos. Diante disso é necessário que haja uma produção e coleta adequada e consciente. Para isso é importante que haja uma fiscalização e rigor quanto a Política Nacional de Resíduos Sólidos, que promove dentre diversas coisas a erradicação dos lixões. Além disso o Governo Federal em parceria com as indústrias poderia promover discussões sobre a utilização de materiais recicláveis e juntamente a isso oferecer incentivos aos catadores de materiais recicláveis. Em relação a sociedade, é importante que as escolas em parceria com as secretarias de limpeza urbana, promovam debates sobre o tema utilizando as mídias sociais e televisivas para a divulgação de ações, promovendo uma redução do problema.