O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 05/09/2020
O filme o Wall-E, produzido pela Pixar, retrata uma realidade distópica em que o planeta Terra está imerso em uma catástrofe ambiental dominado pelo lixo e a poluição atmosférica. Fora da animação, a realidade não está muito distante, uma vez que a questão do lixo ainda constitui um grave problema de saúde pública no Brasil. Com efeito, a fim de reverter esse cenário alarmante, há de se combater a ineficiente infraestrutura no manejo do lixo e a existência de uma cultura de consumo.
Em primeira análise, as políticas de tratamento ineficientes do lixo impossibilitam uma destinação correto desses resíduos. A esse respeito, a lei 8080 de 19 de setembro de 1990 garante que o oferecimento de saneamento básico – o que inclui manejo adequado do lixo – é determinante para uma saúde pública de qualidade. No entanto, os projetos pouco eficientes de coleta, direcionamento e reciclagem desses resíduos vai de encontro ao princípio jurídico, o que dificulta uma destinação correta desses subprodutos e, por conseguinte, impede o acesso ao saneamento de qualidade. Exemplo disso são os dados do Fundo Mundial para a Natureza (WWF), o qual apenas 1,29% do lixo brasileiro é reciclado. De fato, uma realidade caótica que exige mudanças urgentemente.
Em segunda análise, a cultura de consumo estimula a produção substancial de lixo. No documentário “A História das Coisas”, datado ainda dos anos 2000, é mostrado os impactos de todo o processo produtivo e a importância do consumo na legitimação desse ciclo. Ocorre que mais de uma década depois do documentário, a indústria ainda utiliza a mídia como canal primordial de persuasão, associando o ato de comprar com as ideias de felicidade e realização pessoal, sem se preocupar com a produção demasiada de resíduos. Dessa forma, tem-se perpetuação de uma geração consumista e despreocupada com os impactos ambientais.
Fica claro, portanto, que medidas são necessárias para reverter esse cenário. Para tanto, cabe ao Ministério do Meio Ambiente, que tem a missão de promover a proteção e a recuperação da natureza, fazer valer a lei 8080, mediante implementação de um projeto de tratamento de resíduos – começando pela coleta seletiva - em todo território nacional, a fim de garantir o direcionamento correto do lixo produzido. Por fim, é papel do Ministério da Educação oferecer palestras nas escolas a respeito da reciclagem e tratamento do lixo, por meio de parceria com ONGS, como a WWF, com o fito de educar, desde a mais tenra idade, sobre a importância desse processo para reduzir os impactos ambientais. Dessa maneira, talvez, a realidade retratada em Wall-E possa ser apenas ficcional.