O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 21/09/2020
A Constituição Federal de 1988 garante em seu artigo 225 o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado e o dever de defendê-lo para as presentes e futuras gerações. Entretanto, a ineficiente gestão de resíduos sólidos, reflexo de um irresponsável descarte de lixo, mostra que a população não experimenta esse direito-dever na prática. Diante disso, a sociedade de consumo atual, bem como a ausência de infraestrutura adequada para a destinação desses rejeitos reforçam esse fato social.
Em primeiro plano, é preciso discutir acerca da cultura de consumo desenfreada dos indivíduos. Com a Revolução Industrial, iniciada no século XVIII, ocorreu a produção de excedentes e a necessidade de ampliar o mercado consumidor para escoar os produtos. Nesse sentido, no cenário atual, observa-se os reflexos desse momento histórico e o problema da grande quantidade de lixo produzido, intensificado pela falta de aterros sanitários suficientes para a destinação final desses dejetos, o que faz com que a maior parte do lixo, no Brasil, seja levada para lixões a céu aberto, o que contraria a Política Nacional de Resíduos Sólidos de 2010, a qual determinava o fechamento de todos os lixões e a substituição destes por aterros controlados.
Em segundo plano, identifica-se, consequentemente, uma série de prejuízos ambientais a partir da produção e destinação descontrolada de resíduos no Brasil. Inicialmente, a produção de chorume pela matéria orgânica presente nesses produtos pode contaminar os solos e os cursos d´água a partir da infiltração do lençol freático. Ainda, há a emissão de gases intensificadores do efeito estufa, a exemplo, do metano, o que piora também a crise climática atual. No campo social, por sua vez, constata-se uma população economicamente vulnerável, a qual depende do lixo para sobreviver e é mais provável de ser atingida por doenças infecciosas, carregadas por vetores atraídos pelos dejetos expostos a céu aberto.
Portanto, medidas são necessárias para resolver essa problemática. Por isso, com vistas à desconstrução da cultura de consumo entre os brasileiros, é preciso que ONG´S ligadas à questão socioambiental organizem campanhas a serem veiculadas nos meios de comunicação, como televisão, rádio e redes sociais -devido à sua grande abrangência- em que sejam explicados os danos do consumo descontrolado, assim como estratégias para reduzi-lo e reaproveitar os materiais. Além disso, a fim de criar uma infraestrutura adequada nos municípios, é necessário que o Ministério das Cidades, em parceria com os estados e os municípios, criem aterros sanitários compartilhados, por meio da divisão dos custos envolvidos nessa iniciativa, especialmente nas regiões de menor arrecadação, pois terão mais dificuldades de manter aterros próprios. Desse modo, o quadro socioambiental mudará.