O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 18/09/2020

A Revolução Industrial ocorrida no século XVIII na Europa, espalhou-se rapidamente pelo mundo, proporcionando um expressivo consumo de bens pela população e, consequentemente, uma superprodução de lixo nas grandes cidades. Nesse âmbito, a produção excessiva de resíduos e os impactos causados por eles no meio ambiente são grandes problemas enfrentados pela sociedade ao longo dos séculos, não só pela inércia do Estado em ações mais concretas em relação ao assunto, como também pela falta de informação da população.

Em primeira análise, é evidente o descaso dos governantes quanto às políticas de coleta seletiva e destinação do lixo. Segundo o site de notícias Folha de São Paulo, em 2019, o Brasil produziu cerca de 80 milhões de toneladas de resíduos sólidos, nos quais somente 11% foram reciclados. Sob tal ótica, constata-se que a intervenção do Estado não se faz presente, principalmente em iniciativas fiscais e parcerias público-privadas, fundamentais para proverem maiores investimentos em empresas que tratam os resíduos e dão destinação adequada aos materiais que serão descartados.

Outrossim, vale ressaltar o desconhecimento das pessoas a respeito da coleta seletiva de lixo. Nessa perspectiva, segundo o filósofo iluminista Kant, “o homem não é nada além daquilo que a educação faz dele”. Sob esse viés, sabe-se que a sociedade necessita de engajamento, educação e informação acerca da necessidade de separação consciente dos sedimentos produzidos por eles, pois, muito dos dejetos eliminados irregularmente em lixões, calçadas e aterros sanitários, provocam enormes desastres ambientais, principalmente nos períodos chuvosos. Dessa maneira, é preciso uma intervenção para que essa inaceitável questão seja modificada.

Portanto, para que haja uma mudança nesse cenário de extremo descaso a respeito da destinação apropriada do lixo e dos recorrentes problemas ambientais causadas por ele, é imprescindível esforço coletivo entre o Estado e a iniciativa privada. Dessa maneira, cabe ao Governo Federal, em parceria com empresas privadas, investir financeiramente em cooperativas de reciclagem do lixo e projetos que promovam a reeducação social, mediante campanhas voltadas às políticas de educação ambiental, incentivo ao consumo de produtos mais sustentáveis e descarte consciente do lixo, através de palestras em escolas, empresas midiáticas e livros didáticos, com intuito de mitigar os impactos provocados pelo volume expressivo de poluentes produzidos pela humanidade. Por tudo isso, será possível que a população possa viver num planeta mais limpo e sustentável.