O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 26/09/2020

O filme “Os Delírios de Consumo de Becky Bloom” retrata a vida de uma jornalista que, na tentativa de esquecer suas frustrações e até mesmo de se igualar ao padrão midiático, se torna uma consumidora compulsiva. Fora da ficção, inúmeros brasileiros agem como Becky, incentivam a sociedade de consumo, a qual é precursora de impactos ambientais catastróficos. Configura-se, assim, mais um impasse frente a uma relação harmônica entre o social e o meio ambiente.

A princípio, é importante ressaltar a vulnerabilidade do homem contemporâneo e o papel de protagonismo que a mídia exerce sobre essa fator. Conforme afirma Érico Veríssimo, o objetivo do consumidor não é possuir coisas, mas consumir cada vez mais a fim de compensar seu vácuo interior. Sendo assim, através de propagandas apelativas, os cidadãos se encontram seduzidos pelo produto e entram no ciclo vicioso do consumo. Afinal, depositam em suas compras o preenchimento de seus “vazios internos” e a sensação de pertencimento ao padrão social.

Em paralelo a essa consumação exacerbada, há uma exploração incessante de recursos naturais e a maximização da produção de lixo. Esses problemas são incitados, principalmente, pela obsolescência programada, uma vez que os donos de grandes marcas de bens produzem mercadorias com “prazo de validade”, para que os clientes tenham que comprar cada vez mais e descartar a peça antiga. Como, por exemplo, ocorre com a indústria “Fast Fashion”, a qual lança roupas de qualidade mediana e que podem ser substituídas por novas coleções a cada estação.

Portanto, para conciliar as consequências do capitalismo e a natureza, é necessário que o Ministério da Economia estabeleça um nível de qualidade mínimo para cada ramo de bem material, promovendo fiscalizações mensais às empresas, a fim de que elas fabriquem produtos com maior durabilidade. Ademais, o Ministério do Meio Ambiente, através de relatório, deve cobrar dessas companhias a reciclagem e a utilização consciente dos recursos naturais. Por fim, evitam-se mais histórias com a de Bloom.