O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 26/09/2020

Desde o “Século das luzes”, comumente conhecido como Iluminismo, ocorrido no século XVIII, na Europa Ocidental, teóricos da época pregavam que uma sociedade só progride quando seus cidadãos se mobilizam com o intuito de solucionar imbróglios do corpo social. Não obstante, verifica-se, na contemporaneidade, que o estorvo resultante do consumismo no Brasil vai de encontro aos ideais iluministas, uma vez que estes prezavam pelo desenvolvimento social tendo como pilar o bem-estar, eliminando práticas maléficas ao meio ambiente. Dessarte, é categórico destacar que a problemática deve-se não só à negligência do Governo, mas também ao descaso e silenciamento social.

Mormente, é fulcral pontuar que o óbice em questão ocorre em função da ineficácia estatal. Consoante a isso, Abraham Lincoln, célebre personalidade da política norte-americana, disse, em seus discursos, que o Estado tem como objetivo prover aos cidadãos, por meio de melhorias no bem-estar social, um futuro próspero em todos os âmbitos. De acordo com dados da ABRELPE(Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais), apenas 69,6% das cidades brasileiras realizam a coleta seletiva, sobrando 2,4 milhões de toneladas para serem depositadas em lixões. Desse modo, faz-se mister que ocorra uma reformulação de tal postura estatal negligente.               Outrossim, é imperativo salientar que o descaso e silenciamento social é também uma das razões pela qual o problema perdura. Nesse sentido, o filósofo Karl Marx teceu diversas críticas, em suas obras, acerca da atuação governamental em relação à educação cidadã nas sociedades. Tratando-se do consumismo, que promove um dos maiores males da humanidade, que é a grande quantidade de lixo produzida atualmente, é possível perceber que as críticas de Marx se fundamentam, pois o Estado brasileiro não promove a conscientização social em nenhuma de suas instâncias, permitindo, assim, que tal prática ganhe cada vez mais notoriedade no corpo social.

Isto posto, é inegável a necessidade de intervenção no que tange à problemática. Para tanto, o Governo Federal, como instância máxima da administração executiva, aliado ao Ministério da Cidadania, por meio de verbas governamentais, deve levar palestras por todo o Brasil, alertando a população acerca das malignidades resultantes do consumismo impulsivo na produção de grande quantidade de lixo, de modo que ocorra a massificação do termo na sociedade, por intermédio de propagandas acerca do tema. Ademais, a mídia como um todo deve promover, em níveis mundiais, palestras educacionais por meio do ambiente virtual, os cursos deverão ocorrer gratuitamente com profissionais capacitados, a finalidade de tal efeito encontra-se em diminuir o número de casos e proporcionar uma consciência coletiva.