O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 02/10/2020
O filme Wall-e, exibido pela Disney Pixar, retrata a história de uma sociedade gananciosa, a qual precisou encontrar formas de viver no espaço devido à intensa poluição e ao acúmulo de resíduos existente no planeta Terra. Fora das telas, o longa representa de maneira animada uma crítica ao consumismo da população e o excesso de lixo ocasionado por este. Nesse cenário, é preciso analisar as causas que intensificam essa problemática e as consequências desta na vida dos brasileiros.
Em primeiro momento, faz-se necessário compreender as causas que agravam esse problema. Assim, o fluxo excessivo de produtos que são lançados no mercado diariamente, estimulado pelas inúmeras propagandas televisas e pelos atuais “digitais influencers”, corroboram para a criação de um sentimento de necessidade nos indivíduos, muitas vezes desnecessário, o que proporciona o aumento dos níveis de consumo. Ademais, em muitos casos, a compra de determinados produtos da moda origina uma sensação de pertencimento e satisfação pessoal, evitando que o cidadão se sinta excluído e estigmatizado, como dito pelo sociólogo Erving Gofmann, por se sentir fora do padrão econômico.
Dessa forma, o consumo excessivo acompanhado do descarte inadequado desses resíduos aumentam os índices de lixo no país. Sendo assim, o depósito em lixões a céu aberto reforçam essa problemática e apresentam diversas consequências negativas, como a produção de chorume oriundo dos lixos acumulados, os quais liberam metano e poluem os afluentes utilizados pela população. Além disso, a falta de uma consciência sustentável em muitos brasileiros, faz com que a taxa de lixo descartado de maneira incorreta nas ruas seja significativa, poluindo solos e rios, entupindo bueiros e provocando enchentes. Nesse contexto, a Revista Science Advance estima que até 2060 o mundo esteja todo coberto por plástico e o planeta seja inabitável.
Diante do exposto, é nítida a necessidade de medidas que solucionem essa problemática. Portanto, cabe ao governo por meio do Ministério Público, garantir com maior rigorosidade o cumprimento das leis de cunho ambiental, tal como a Lei número 6.938, de 1981, a qual busca assegurar a preservação do meio ambiente em detrimento da poluição, realizando em parceria com as prefeituras municipais, um aumento da fiscalização e da punição para infratores, a fim de demonstrar para a população a seriedade da situação e diminuir os níveis de acúmulo de lixo. Outrossim, cabe a própria sociedade o desenvolvimento de um pensamento de consumo sustentável, se policiando para evitar o consumismo e descarte em excesso e adotando medidas de reutilização e reciclagem de resíduos, buscando garantir um mundo em que o progresso caminhe juntamente com a preservação. Somente assim, poderá haver um equilíbrio entre ambos setores, se distanciando da realidade criticada por Wall-e.