O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 09/11/2020
No longa-metragem “Wall-e”, da Pixar, é retratado um futuro distante em que a humanidade abandonou a Terra, após soterrar o planeta com lixo. Contudo, apesar de ser tratar de uma ficção, a trama faz refletir nos impactos negativos da sociedade do consumo. Ao analisar a situação do lixo no Brasil atual, verifica-se que a problemática se encontra repleta de entraves, sendo esses causados, dentre muitos fatores, pela influência do sistema capitalista, além da insuficiência das políticas públicas.
Convém ressaltar, a princípio, que o consumo inconsciente da população afeta, de maneira negativa, a produção de lixo. Uma vez que, imersa em uma lógica capitalista, a sociedade passa a internalizar falsas necessidades de aquisição de produtos, sem questionar a necessidade útil do ato. Comprovando, dessa forma, o pensamento do sociólogo Herbert Marcuse,o qual afirma que em sociedades industriais, uma série de elementos, como comunicação, cultura e publicidade obrigam as pessoas a fazer parte do modo de produção e consumo. Por consequência, esse cenário favorece a acumulação insustentável de resíduos. Dessa feita, ressalva-se a necessidade de mudança dessa conjuntura.
Outrossim, vale salientar que a pouca efetividade das medidas do poder público quando ao destino do lixo, acaba agravando a problemática. Isso porque, a Política Nacional de Resíduos Sólidos(PNRS),ação que visava o fim dos lixões e descarte correto do lixo nos municípios, ficou no ostracismo em relação a sua efetividade na pratica. Como prova disso, o Brasil tem mais de 3 mil lixões funcionando em mais de 1600 munícipios. Tais fatos evidenciam não apenas a gravidade da situação ,mas também a falha do Estado em prover qualidade de vida para a população.
Portanto, urge que medidas mais eficazes sejam efetivadas. Para tanto, cabe ao Ministério do Meio Ambiente, aliados ás esfera municipais e estaduais, a realização de parcerias público-privado, com empresas recicladoras de lixo, a fim de não apenas reintroduzir o resíduo na produção industrial, mas também de causar menos impactos ambientais. Concomitantemente, é papel do Ministério da Educação, a realização de palestras, comandadas por Biólogos, sobre os impactos do consumo desregulado e o descarte residual, no intuito de promover uma educação ambiental desde a tenra idade. Somente assim a realidade de “Wall-e”, ficará apenas na ficção.