O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 27/10/2020

O elevado índice de consumo na atualidade, evidente nas sociedades capitalistas contemporâneas não se configura como um fenômeno recente. Tal padrão de vida é fomentado principalmente pelos Estados Unidos desde a Primeira Guerra Mundial por meio do “American way of life”, estilo de vida que associa a aquisição de determinados bens com o ideal de felicidade.Como consequência do aumento da obtenção de produtos, houve aumento também na produção de lixo, que passou a ser um problema recorrente em grandes centros urbanos em virtude da carência de ações governamentais para o descarte apropriado do mesmo.

É cabível citar como agravante para esse cenário a demanda crescente do mercado consumidor, motivada por um sistema consumista que visa o lucro em detrimento da responsabilidade ambiental. Isso ocorre,por conta da ineficiência do Estado na garantia de coleta e reciclagem desse material gera problemas de ordem social e ambiental, como a gradativa formações de lixões e aterros sanitários nas proximidades de comunidades periféricas, problema que poderia ser evitado com políticas públicas para melhor processamento do lixo. Tal fato pode ser observado sob a perspectiva do documentário “Lixo extraordinário”, que aborda o trabalho do artsita plástico Vik Muniz com catadores de material reciclável no aterro sanitário de Jardim Gramacho, que aprendem a ressignificar seu trabalho ao fazer uso do lixo como material para fins artísticos.

Dessa forma, apesar da evidência de uma série de benefícios associados a reciclagem como forma de melhor aproveitamento dos resíduos gerados em decorrência do consumo exacerbado, é perceptível a baixa exploração desse recurso, principalmente nas grandes cidades, que são as maiores produtoras de lixo. Segundo dados do Ipea (Instituto de pesquisa econômica aplicada), apenas 13% dos resíduos sólidos urbanos vão para reciclagem, o que certamente explicita o descaso com este material, já que a maioria dele ainda é levado ao destino convecional. Dessa forma, o atual programa de aproveitamento desse recurso se mostra insuficiente para atender as demandas de um número maior de indíviduos que consome cada vez mais.

Sendo assim, cabe aos governos municipais, por serem reguladores do manejo de detritos em seus respectivos municípios, a elobaração de programas de reciclagem através da criação de mais pontos de coleta seletiva e centros de separação e tratamento de resíduos, administrados por catadores com o fim de diminuir o acúmulo de lixo nas cidades brasileiras, além de assegurar mais estabilidade financeira e segurança para aqueles que trabalham com a coleta desses materiais.