O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 25/10/2020
Em suas obras, o artista plástico brasileiro, Vik Muniz, demonstra forte preocupação socioambiental, como é possível notar em seu trabalho realizado no lixão Jardim Gramacho, no Rio de Janeiro, e exposto no documentário “Lixo extraordinário”. No entanto, observa-se que, apesar da responsabilidade socioambiental apresentada pelo artista, boa parte da população brasileira e corporações eximem-se desse dever. Assim, convém destacar o consumismo exacerbado e a inexorável busca por lucros como fatores agravantes da produção de resíduos sólidos e os impactos ambientais atrelados a este problema.
Em primeira análise, é lícito postular que o consumo desenfreado e inconsciente, por parte da sociedade brasileira, aumenta substancialmente a geração de lixo. E, conforme disserta o sociólogo Jean Baudrillard, a construção social de um valor atrelado a uma mercadoria faz com que esta se torne a expressão identitária do “status” do indivíduo que a tem. Sob essa ótica, há a substituição da compra por necessidade pela afirmação de uma posição social, gerando dessa forma um consumismo exacerbado e o consequente incremento da produção de resíduos sólidos.
Outro ponto passível de destaque é a incessante busca por lucros, por parte das empresas, o que configura-se como um elemento de estímulo ao consumo e um fator de degradação ambiental. Nesse sentido, segundo os sociólogos Theodor Adorno e Max Horkheimer, o terceiro setor da economia utiliza-se da mídia para promover a aquisição de bens produzidos pela indústria. Dessa forma, o apelo constante ao consumismo atrelado a utilização de materiais não biodegradáveis intensifica a produção de lixo e causa grandes impactos ambientais como a poluição dos recursos hídricos, a contaminação dos solos e a liberação de gases estufa. A exemplo disso, tem-se o documentário “Oceanos de plástico”, que ilustra a degradação da vida marinha provocada pelos resíduos sólidos.
Em suma, faz-se adequada uma intervenção por parte do Ministério da Educação, que deve efetivar o ensino de educação ambiental, conforme consta na BNCC, por meio da orientação de escolas quanto ao desenvolvimento de projetos de cunho socioambiental, a fim de desenvolver, nos discentes, o senso de responsabilidade ambiental e consumo consciente. Também é imperioso que o Ministério do Meio Ambiente conceda incentivos fiscais às empresas que adotarem práticas ecológicas, como a utilização de materiais biodegradáveis, através da inclusão desse objetivo na base de Diretrizes Orçamentárias, com o fito de amenizar os impactos ambientais gerados pelas corporações. Desse modo, será possível, como o faz Vik Muniz, o cumprimento dos deveres socioambientais.