O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 26/10/2020

Sob a perspectiva filosófica de Arthur Schopenhauer, a vida é uma constante oscilação entre a ânsia de ter e o tédio de possuir. Nesse sentido, percebe-se que, no Brasil, o acelerado crescimento da produção de lixo está estreitamente ligado à cultura do consumismo e desperdício, no tocante ao processo de convívio no meio social, visto que caracteriza um dos maiores problemas ambientais da atualidade. Dessa forma, torna-se evidente a carência de tratamentos adequados, bem como o debate acerca da participação da sociedade.

Primeiramente, de acordo com dados da Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), a população brasileira produz cerca de 79 milhões de toneladas de resíduos sólidos por ano, havendo uma grande parcela sem disposição final adequada. Tal conjuntura é, ainda, intensificada pelo aumento anual de lixo produzido em média por cada cidadão, o que resulta em maiores quantidades destinadas a lixões ou aterros controlados, sem uma estrutura capacitada e com elevado potencial de poluição ambiental e impactos negativos à saúde. Desse modo, ocorre uma carência de investimentos por parte da gestão dos municípios, dificultando a busca por uma solução conjunta a respeito do melhor direcionamento dos detritos produzidos.

Em segunda análise, cabe pontuar que de forma cada vez maior, a sociedade brasileira vem buscando satisfazer sua “necessidade” de compra de maneira irracional, sendo influenciado por artifícios criados pelo mercado capitalista e a própria obsolescência programada dos produtos. Segundo Rousseau, a vontade geral deve emanar de todos para ser aplicada a todos, sob esse viés, indivíduos, famílias, sociedades, governos, todos devem contribuir para a solução do problema, repensando sobre o consumo desenfreado. Além disso, mesmo nos lugares onde se realiza a coleta seletiva, uma parcela da população não busca separar os materiais viáveis para reciclagem e reutilização, o que dificulta o trabalha das pessoas nessa área, deixando de reaproveitar e prejudicando a economia dos recursos naturais.

Portanto, é mister que se tomem providências para amenizar o quadro atual. Nesse contexto, os Governos Municipais, em conjunto, deveriam buscar suporte por meio de consórcios públicos, para a construção de aterros sanitários compartilhados, facilitando assim, o funcionamento correto do descarte do lixo. É imprescindível também que o Governo, em parceira com ONG’s, busque aumentar as campanhas de conscientização e divulgações midiáticas acerca das consequências para o meio ambiente (na água; nos solos; e na saúde) caso a produção de lixo continue de forma exacerbada. Assim, as medidas propostas fomentarão resultados positivos.