O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 26/10/2020
“Eu vejo, eu gosto, eu quero, eu compro”, a canção “7 rings” da cantora Ariana Grande retrata a mentalidade da sociedade de consumo na qual “ter é ser”. No entanto, Ariana trata tal consumo de forma glamourizada, omitindo sua principal problemática: o lixo. Analogamente, na contemporaneidade nacional, a temática do lixo decorrente do consumo não é discutida e desperta preocupações sociais e ambientais. Com efeito, é possível ressaltar como causa: a inadequada destinação de resíduos, bem como sua alta produção potencializada por mecanismos capitalistas.
Em primeira análise, é necessário avaliar a falta de conscientização no tratamento do lixo por parte da sociedade. Conforme a Pesquisa Nacional de Saneamento Básico, feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 27% do lixo produzido no Brasil tem como destino: lixões, terrenos baldios, matas e rios, ou seja, locais totalmente inadequados. Sob esse viés, é possível depreender que a falta de conscientização dos riscos da destinação e organização incorreta do lixo pode agravar sérios problemas ambientais, desde poluição de afluentes até proliferação de vetores patológicos. Nessa lógica, políticas nacionais surgem como passo essencial para reverter o quadro de irresponsabilidade civil e governamental.
Ainda é possível contextualizar, em segunda análise, a atuação do consumo desenfreado como agravante na superprodução e acúmulo de lixo no Brasil. À luz disso, Hans Alois, ambientalista e sociólogo alemão, afirmou que o sistema capitalista financeiro, desde a sua origem, tem como característica a apropriação da natureza como meio para a obtenção de lucros. Sob essa perspectiva, fica evidente a relação do pensamento consumista - que cria necessidades efêmeras no consumidor objetivando um ciclo de lucro - ao desequilíbrio do meio ambiente, refém da cada vez maior produção de resíduos que alimentam tal ciclo. Tal ação abre margem para contaminação de solo e água, trazendo problemas para fração significativa da população nacional.
Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater o lixo na sociedade de consumo no Brasil. Para tanto, cabe ao Ministério da Infraestrutura com apoio do Ministério da Cidadania difundir à população, por meio de outdoors, reportagens e discussões em praças com ambientalistas e ativistas, medidas de separação e destinação adequada do lixo bem como consumo consciente, como forma de instigar a conscientização e participação da sociedade para solução de problemas e visando superar problemas socioambientais emergentes. Assim, o Brasil poderá esquecer essa problemática e contrapor a visão retratada em “7 rings”, enxergando os dois lados da questão.