O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 26/10/2020
A partir da segunda metade do século XX, com o advento da Terceira Revolução Industrial, consolidou-se o processo produtivo do capitalismo moderno, graças aos avanços no campo tecnológico. Desde esse momento, manifestam-se construções de estilos de vida propensos ao consumo supérfluo, o que gera resíduos em níveis elevados. Portanto, no Brasil, os problemas relacionados ao acúmulo de lixo mostram-se acentuados, em muito, pela obsolescência programada e pela falta de consciência da população.
Em primeiro lugar, destaca-se a associação intrínseca entre a fabricação de produtos com tempo de vida curto e o ajuntamento de detritos. Segundo o economista britânico Adam Smith, ‘‘O consumo é a única finalidade e o único propósito de toda produção.’’ Partindo dessa afirmação, a prática da obsolescência planejada cumpre seu objetivo, pois entende-se que a limitação na durabilidade dos itens fabricados nas empresas provoca a maximização do consumo. Nesse viés, instaura-se uma tendência social consumista, a qual implica aumento descomunal no descarte de lixos, principalmente eletrônicos. Com isso, ocorre contaminação dos lençóis freáticos, uma vez que os metais pesados altamente tóxicos liberados pelos resíduos computacionais entram em contato com o solo.
Em segundo plano, vale ressaltar a diminuta consciência social como propensão comportamental inerente à sociedade consumista. Conforme John Piper, teólogo estadunidense, ‘‘A marca da cultura de consumo é a redução do ‘ser’ para ’ter’.’’ A partir desse pressuposto, percebe-se que a população, a fim de suprir os desejos e as necessidades, consome incessantemente, mesmo desconhecendo os impactos do descaso alusivo ao descarte incorreto de diferentes tipos de lixo. Essa situação, aliada à quantidade insuficiente de aterros sanitários, acarreta aglomeração de resíduos em lixões, o que libera concentrações excessivas de gás metano na decomposição da matéria orgânica e, consequentemente, intensifica o efeito estufa.
Então, diante dos aspectos discorridos, é fundamental que o Governo - responsável pela administração federal em todo o território nacional - exija mais transparência das empresas em relação à duração dos produtos fabricados, por meio de fiscalização rígida, a fim de reduzir o volume de restos descartados. Em sincronia, as Câmaras municipais devem promover ampla divulgação a respeito das coletas seletivas, das variedades de resíduos e das perspectivas de consumo, por intermédio de cartazes informativos espalhados pela cidade, com o intuito de conscientizar as comunidades locais. Dessa maneira, a sociedade brasileira poderá atenuar o panorama negativo vinculado ao consumo e ao lixo.