O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 25/10/2020

Elaborado pelos filósofos da Escola de Frankfurt Theodore Adorno e Horkheimer, o conceito de Indústria Cultural se baseia na condição em que bens variados são consumidos de forma massiva e impensada pela população. Nesse viés, diante da interdependência do consumismo com a produção excessiva de lixo nos países capitalistas, atualmente, percebe-se que a sociedade de consumo brasileira enfrenta as dificuldades dessa condição. Desse modo, é possível apontar a obsolescência programada de muitos produtos e a falta de estímulos à reciclagem de lixo como pilares que sustentam a problemática.

Primeiramente, convém ressaltar que a obsolescência programada se baseia na designação de um curto prazo de validade a bens de consumo. Diante dessa realidade, para o economista Adam Smith “o consumo é o único propósito da produção”. Nesse sentido, haja vista que os consumidores são seduzidos e estimulados incessantemente pela propagação de ideias de inovação, a aquisição constante de produtos tecnológicos, por exemplo, corrobora no descarte periódico de bens considerados ultrapassados. Logo, ao passo que o valor utilitário desses materiais é deixado de lado, a produção em larga escala de resíduos é potencializada.

Ademais, para o filósofo John Locke, “o conhecimento de nenhum homem pode ir além de sua experiência”. Acerca dessa concepção, infere-se a respeito da importância da divulgação de incentivos a hábitos sustentáveis que favoreçam o meio ambiente, tais como a reciclagem de lixo. Entretanto, tendo em vista a escassez de informações estruturantes, a sociedade brasileira tende a ignorar a necessidade da adoção de tal medida em seu cotidiano e, portanto, a dar continuidade ao consumo exacerbado, o qual é responsável pelo descarte indevido de materiais que prejudicam a natureza e que poderiam ser facilmente reutilizados. Assim, ocorre a perpetuação de hábitos predatórios capazes de dificultar cada vez mais a preservação do ambiente natural.

Nessa perspectiva, entende-se como necessária a atuação da mídia- responsável por divulgar campanhas publicitárias e influenciar positivamente os telespectadores- por meio da veiculação de dados reais que comprovem o descarte abusivo e indevido de lixo, com a intenção de impactar a coletividade e estabelecer um estímulo ao estabelecimento de hábitos coerentes, criando um público consumidor livre da lógica da obsolescência programada e ciente das consequências da não adesão da reciclagem no cotidiano. Feito isso, a sociedade de consumo brasileira poderá ser cada vez mais consciente do lixo que produz.