O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 26/10/2020
Na animação Wall-e (2008), dirigida por Andrew Stanton, após os humanos entulharem a Terra de lixo e poluir a atmosfera com gases tóxicos, robôs foram enviados para a Terra pela empresa BNL para executar o serviço de limpar todos os resíduos a longo prazo, enquanto os humanos esperam em uma estação espacial. Não distante à ficção, no cenário hodierno brasileiro, a sociedade está se tornando cada vez mais consumista e deixando-se de se preocupar com o acúmulo de lixo e suas consequências. Nesse sentido, a geração excessiva de resíduos causada pelo consumo aliada à má gestão dos rejeitos corrobora para a persistência da problemática.
Em primeira instância, cabe ressaltar o descaso por parte da população quando o assunto se trata de consumo e suas consequências Sob esse viés, a humanidade têm extraído os recursos naturais de forma excessiva, desconsiderando que são finitos e que seu esgotamento trará diversos impactos negativos na sociedade. Com isso, de acordo com o Panorama de Resíduos no Brasil, “O país produz cerca de 71,3 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos, sendo 51% desse resíduo matéria orgânica”. Nessa perspectiva, a ausência da conscientização da população brasileira a respeito do consumo exacerbado e dos seus efeitos para o meio ambiente fortalece a presença desse problema. Sendo assim, é notório a necessidade imediata de intervenção.
Não obstante ao supracitado, a falta de políticas públicas voltada para um adequado descarte dos resíduos ainda é um desafio no Brasil. Nessa linha de raciocínio, apesar da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), de 2010, assegurar o fechamento de lixões a céu aberto, o país ainda necessita de uma logística eficaz. Com base nisso, de acordo com dados do G1, 60% do lixo são descartados em lixões a céu aberto. Ademais, é notável o prejuízo causado ao solo e, no caso de lixo orgânico, a poluição olfativa dos arredores. Destarte, o descaso governamental diante uma situação agravante como essa torna-se intolerável e é de extrema necessidade que alguma ação seja colocada em prática para agravar esse quadro.
Fica claro, portanto, que medidas devem ser tomadas a fim de atenuar a problemática. Dessa forma, urge ao Ministério do Meio Ambiente, aliada a mídia, promover postagens nas redes sociais que incentivem a população a reciclar e a conscientize acerca dos meios de reaproveitamento de resíduos. Além disso, urge ao Governo fiscalizar o processo de coleta seletiva e sua destinação final, com investimentos em construções de aterros sanitários, garantindo assim, que o meio ambiente não sofra por ações da humanidade. E, somente assim, será possível reverter esse quadro.