O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 26/10/2020

O sociólogo alemão Ulrich Beck, em seu livro “Sociedade de risco: rumo a uma outra modernidade”, retrata o desenvolvimento social das riquezas e das suas consequências; o autor defende que a globalização conectou todos os humanos, facilitando a troca de informações e de produtos, mas também mostrou o crescimento dos riscos tanto para a sociedade quanto para o planeta. Sobre isso, hodiernamente, é notório que um desses efeitos é a dificuldade em conter o acúmulo de lixo nas regiões urbanas causado pelo consumo em massa no Brasil. Assim, inúmeros problemas advêm dessa situação, como o mal hábito no descarte de lixo e a carência de investimento governamental. Em primeiro plano, a respeito do costume negativo no tratamento dos dejetos, entende-se que a rotina corrida das pessoas as induz a praticidade em tudo, preferindo o “fast food”, o lixo não seletivo e o consumo excessivo como alternativa “eficaz”. De acordo com a ativista ambiental Fernanda Cortez, criadora do movimento “Menos1lixo”, a catarse é quem a incentivou a mudar e conscientizar pessoas para reduzirem seu lixo. Sob esse viés, pode-se afirmar que a transparência das consequências desses maus hábitos provoca o desejo de mudança positiva e sustentável na população, promovendo a possível readequação dos costumes diários. Diante disso, expressa-se uma alternativa que necessita de maior atenção para a efetiva mudança do cenário atual ambiental em que o Brasil se encontra. Concomitante ao supracitado, quanto a falta de investimento do governo, no livro “A Peste”, de Albert Camus, a situação na cidade de Oran era complicada, pois foi atingida por uma peste e isso dificultou a reconstrução socioeconômica da cidade e a vida de toda a comunidade, prejudicando a saúde e bem-estar dela. Efetivamente, fora da ficção, os municípios brasileiros têm a obrigação de proporcionar uma coleta de lixo adequada, conforme o exposto na “Lei do Lixo” (Lei nº 12.305), assegurando as necessidades básicas da população. Nesse tocante, convêm ressaltar o estagnado processo na melhora do colhimento de resíduos no Estado, tal ação não possui o investimento necessário, ocasionando no acúmulo de lixo e, consequentemente, na proliferação de novas doenças e insetos indesejáveis nas cidades. Portanto, para efetiva solução desse cenário de consumo e o lixo causado por ele, cabe às mídias sociais – estrutura social que conecta valores e pessoas –, promover notícias sobre a situação da coleta de lixo no Brasil, mediante o uso de propagandas e vídeos, a fim de provocar o “desconforto emocional” entendido pela Cortez. Outrossim, concerne ao Estado melhorar as medidas e os investimentos na gestão de lixo, por meio da revisão e verificação das normais para prevenir erros e/ou falhas no sistema atual. Assim, os riscos previstos por Beck serão, em grande parte, evitados.