O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 25/10/2020

“O problema não é consumir, é o desejo insaciável de continuar consumindo”. Essa frase do sociólogo polonês Zygmunt Bauman trata a questão do consumismo, problema do corpo social moderno que está relacionado ao consumo impulsivo e exagerado de produtos ou serviços. No Brasil atual, tais hábitos consumistas ainda permeiam a sociedade, cenário que favorece a compra excessiva de produtos de curta vida útil que, quando descartados, promovem a produção exacerbada de lixo. Assim, fica claro que tanto a obsolescência programada quanto a influência midiática validam tal revés.

A priori, é crucial relevar que a obsolescência planejada facilita tal problemática. Segundo a “Printer’s Ink”, publicação estadunidense de 1928, “Um artigo que não se desgasta é uma tragédia para os negócios”. Diante disso, é evidente a presença da obsolescência programada na sociedade, já que produtos com vida útil menor incitam o consumismo e a geração de lucro. Nesse sentido, como os objetos duram menos, eles acabam sendo descartados mais frequentemente, reforçando a formação de resíduos. Assim, o lixo ultrapassa a capacidade suportada por lixões e aterros, fazendo com que ele se acumule em regiões urbanas, especialmente as mais pobres. Com essa aglomeração, a identidade visual do local e a qualidade de vida de seus habitantes fica comprometida.

Ademais, é fulcral destacar que a persuasão midiática motiva esse impasse. De acordo com o filósofo alemão Karl Marx, os meios de comunicação, controlados por ideais burgueses, influenciam o comportamento social, despertando no individuo o desejo de consumir. Isso posto, fica claro que a mídia manipula os hábitos comportamentais seguidos pela sociedade, e por isso ela pode induzir práticas como o consumismo no corpo social. Desse modo, com o aumento do consumo, a sociedade é compelida a atribuir caráter efêmero aos objetos, incitando a produção de lixo. Assim, muitos resíduos são produzidos, e o cheiro que exalam atrai animais que transmitem doenças, como ratos e insetos. Portanto, é perceptível o papel da mídia em promover o consumo excessivo e a geração de lixo.

Nesse sentido, medidas factíveis são vitais para deter o avanço dessa problemática. Logo, cabe ao Ministério da Educação organizar campanhas, por meio de palestras e debates, para alertar a população sobre obsolescência programada e seu impacto na sociedade, a fim de informar os cidadãos e promover o consumo consciente e sensato, assim evitando a produção desnecessária de lixo. Outrossim, a sociedade deve se unir, por meio de manifestações via redes sociais, para que os meios de comunicação sejam responsabilizados pelo conteúdo tendencioso que transmitem, pressionando a mídia a prezar por valores éticos em detrimento de práticas como a exaltação do consumismo, o que resulta na diminuição dos resíduos gerados. Assim, tal revés pode ser combatido e nulificado.