O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 25/10/2020
De acordo com Zygmunt Bauman - a sociedade contemporânea vive uma modernidade “líquida” e “veloz” em que os indivíduos são cada vez mais expostos ao que é superficial. Evidencia-se então, que a compra exacerbada vem crescendo juntamente com as inovações tecnológicas, visando os novos produtos que elas apresentam constantemente e a falsa necessidade de obtê-los. Dessa forma, a poluição também se faz presente com o consumismo desenfreado, tornando a falta de coleta seletiva e a obsolescência programada como causas para a pauta do lixo e a sociedade de consumo no Brasil.
Em primeiro plano, segundo um estudo da World Wildlife Fund (WWF), o Brasil é o quarto país que mais produz lixo plástico, sendo 11,3 toneladas anualmente, das quais somente 1.28% são recicladas. Dessa forma, o acúmulo de lixo é um problema enfrentado pela nação, tendo em vista que a coleta seletiva não se faz presente em todos os bairros das cidades brasileiras. Assim, os resíduos gerados são acumulados e descartados de modo incorreto ao invés de terem um destino à aterros sanitários, bem como uma reciclagem de materiais, diminuindo o consumo exacerbado e o lixo no Brasil.
Em segundo plano, a obsolescência programada é um termo proposto desde 1929, época da Grande Depressão, que visava incentivar um modelo de mercado baseado na produção em série e no consumo. Nesse sentido, nota-se a persistência do termo também na sociedade atual, tendo em vista que os produtos são fabricados já com um prazo de durabilidade definido. De tal modo, a população é impulsionada pela obsolescência planejada a comprar cada vez mais em um curto período de tempo, aumentando proporcionalmente seu consumo com a quantidade de lixo.
Por fim, diante dos desafios supracitados, cabe ao Governo brasileiro - responsável pelos interesses da administração federal em todo território nacional - promover medidas eficientes que afetem todas regiões do Brasil, por meio de coletas seletivas e a conscientização sobre elas, para que o número de lixo reduza e o seu aproveitamento aumente. Cabe também às grandes empresas, juntamente com o mercado consumidor, realizar campanhas que contenham o consumo exacerbado e desnecessário, com a divulgação de propagandas e dos dados alarmantes, para enfim despertar a sociedade da obsolescência programada em que ela se encaixa. Assim, formar-se-ia uma nação mais consciente e menos produtora de lixo, diminuindo também o consumo não-essencial.