O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 26/10/2020

Em 1948, foi promulgada a Declaração Universal Dos Direitos Humanos, a qual garante aos indivíduos direitos essenciais, como o direito à segurança. Nesse sentido, a grande quantidade de lixo produzido, no Brasil, fere a norma apresentada, o que representa uma falha no estado democrático de direito. Logo, é mister analisar essa temática, tendo em vista os danos causados a esse direito do cidadão e a relação dela com a cultura brasileira.

A princípio, vale ressaltar que, conforme a Constituição Cidadã de 1988, é obrigação do Estado garantir os direitos fundamentais do ser humano, entre eles, o direito à segurança. Entretanto, ao não promover políticas públicas eficazes para assegurar esse direito do cidadão, frente à elevada produção e ao descarte inapropriado de lixo no país, o Estado falha em cumprir um dos seus papéis na sociedade, segundo a Constituição. Sendo assim, esse cenário configura-se como um problema social, dado que o descarte impróprio do lixo pode trazer graves problemas para a sociedade , a exemplo das enchentes.

Além disso, cabe analisar de que forma a cultura brasileira corrobora para a persistência desse imbróglio social. No que concerne à cultura, o sociólogo Bourdieu delibera sobre o " Poder Simbólico", o qual surge das interações sociais e é naturalizado no imaginário popular. Nesse contexto, o aumento da produção de lixo, no Brasil, se relaciona com esse “Poder Simbólico”. Isso ocorre, pois o ideal capitalista, o qual incentiva o consumo constante e desenfreado de produtos, por parte da população, foi naturalizado no imaginário popular e, portanto, possui raízes profundas na sociedade, o que dificulta a resolução dessa problemática, como demonstra a pesquisa do site “Feminaria”.

Diante disso, fica evidente a necessidade de contornar essa situação. Para isso, é preciso que o Governo Federal, por meio de parcerias com órgãos associados, promova campanhas públicas, tanto no meio físico quanto no meio digital. Essas campanhas devem primar por incentivar a prática da coleta seletiva e por instruir o corpo social a consumir somente o que realmente necessita. Ademais, essa medida deve ser tomado no intuito de garantir dos direitos fundamentais do ser humano e de reduzir a produção de lixo no país.