O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 23/10/2020
“Luxo” ou “Lixo”? Esse é o questionamento da célebre poesia concretista, do autor Augusto de Campos, na qual critica a dinâmica consumidora da contemporaneidade. Essa visão é efetivada no hodierno cenário global, sobretudo no Brasil, posto que se tornou frequente o consumo exacerbado, consequentemente influenciando maior produção de lixo. Com isso, o acumulo dos resíduos e a sociedade de consumo são estimulados, principalmente, pela influência supermercadista e pelo crescimento desordenado das urbes.
Primeiramente, vale destacar que por meio de propagandas, muitas vezes apelativa, o mercado instiga o consumidor de modo que este adquira um comportamento que visa a compra acima de tudo. Nesse sentido, segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, a imposição econômico-cultural na forma de agir e pensar da sociedade de consumo está atrelada à superficialidade na liberdade de suas escolhas. Nisso, observa-se que a esfera mercadista se aproveita da liquidez das escolhas pessoais para implantar uma sociedade de consumo, criando uma cultura voltada à compra. Assim, com esses conceitos enraizados, os indivíduos deixam de lado a consequência do consumo exacerbado, o lixo.
Paralelamente a essa dimensão, o descaso na infraestrutura das urbes devido à rápida urbanização contribuiu para a falta de logística para atender a demanda de lixo produzido. Nesse sentido, o pensamento do geógrafo Tomas Malthus, o crescimento populacional desenfreado implica na falta de recursos devido à alta demanda, muitas vezes não se aplica ao cenário do país, pois com o avanço da tecnologia a produção e falta de recursos não foram comprometidas. Dessa forma, a sociedade, sem temer a falta de recursos, compra mais do que o necessário, demandando maior produção por parte das empresas, logos ambas geram muitos resíduos durante esse processo. Assim, o crescimento populacional e urbanístico contribui para a grande produção desnecessária de lixo.
Por fim, diante dos desafios supramencionados, é necessária a ação conjunta do Estado e da sociedade para mitigá-los. Assim, compete ao Ministério da educação promover a inclusão de disciplinas como Consumo inteligente, por meio de alteração na Lei de Bases e Diretrizes da Educação, dessa forma impulsionando o desenvolvimento crítico acerca do consumo, objetivando o compra consciente e a redução dos resíduos gerados. Outrossim, cabe ao Executivo, com o apoio da Sociedade Civil, difundir uma cultura de Lixo ético, mediante reorganização e reestruturação da coleta seletiva, a fim de envolver mais a sociedade na separação do lixo. Isto posto, haverá maior adesão e envolvimento dos brasileiros no combate à produção demasiada de resíduos e ao consumo exagerado.