O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 26/10/2020
O filme americano Clube da Luta retrata a realidade de um jovem adulto consumista que se desprende de todos seus bens e enfrenta uma batalha psicológica para mudar o modo de vida que possui. Análogo a arte cinematográfica, hodiernamente, os países desenvolvidos e em desenvolvimento sofrem com o consumismo exagerado, o que gera uma produção de lixo desenfreada, resultando em prejuízos para o meio-ambiente. Nesse contexto, entre as principais causas que evidenciam a problemática, pode-se citar a obsolescência programada bem como a ausência de aterros sanitários no território nacional.
Cabe mencionar, em primeira análise, que os bens de consumo têm uma vida útil pré-definida pelas fabricantes. Esse fato pode ser explicado por Zygmunt Bauman, com a teoria da Modernidade Líquida, na qual os indivíduos possuem ideologias voláteis e têm seus gostos alterados conforme o desejo de multinacionais. Nesse sentido, grandes marcas criam tendências, que provocam a necessidade de consumo de determinados manufaturados, os quais estragam em certo período de tempo, obrigando o consumidor a comprar mais uma vez o produto. Como consequência, ocorre uma maior produção de lixo, piorando o quadro.
Vale ressaltar, em segunda análise, que grande parte do lixo acaba em lixões. Segundo o Albrepe, o Brasil possui mais de 3 mil lixões e aterros irregulares. Sob essa ótica, é evidente a falta de estruturas adequadas para o depósito desses dejetos, uma vez que aterros sanitários visam minimizar a poluição do solo e, em contrapartida, aterros a céu aberto não têm sistemas que impeçam essa contaminação. Desse modo, torna-se cada vez mais preocupante a ideologia consumista e a produção de lixo em larga escala.
Diante da discussão elencada, são notórios os malefícios causados pela sociedade de consumo na produção de lixo. Para alterar o cenário vigente, é necessário que a Mídia, conjunto de esferas do meio social, interfira na formação de escolhas dos indivíduos, por meio da criação de propagandas que promovam a reutilização de produtos, para que uma cultura de reaproveitamento seja criada. Além disso, o Governo Federal, com o auxílio de empresas privadas, deve desenvolver novos aterros sanitários, por intermédio de incentivos fiscais às construtoras, com o intuito de minimizar os prejuízos causados à natureza. Com tais medidas, será possível observar uma sociedade menos consumista e mais consciente.