O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 25/10/2020

No dia 10 de dezembro de 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos foi proclamada, trazendo direitos que todos os indivíduos devem ter como moradia e ambientação dignas. Entretanto, a problemática do lixo e a sociedade aquisitiva no Brasil atual está ganhando cada vez mais visibilidade, uma vez que há uma grande parcela de pessoas que descartam esse tipo de resíduo sólido de forma excessiva e muitas vezes inadequada. Isso se deve, entre outras causas, pelo consumo exacerbado instituído no capitalismo e por causa do comportamento individualista que assola o território nacional.

Vale ressaltar, em primeira análise, que uma grande quantidade de mercadorias é desperdiçada na indústria consumista. De acordo com o sociólogo reconhecido mundialmente Karl Marx, os produtos globalizados possuem obsolescência programada. Ou seja, tendem a ter valor durante um curto período e assim passam a ser erroneamente considerados ultrapassados e disfuncionais na medida em que se é lançado outros mais novos. Seguindo essa linha de raciocínio, a sociedade tende a usar do seu poder de compra recorrentemente para ter sua “necessidade de consumo” forjada pelo sistema abastecida. Dessa forma, muitos dos objetos obsoletos acabam por não serem devidamente reutilizados e se tornam lixo, contribuindo no sentido de uma defasagem socioestrutural.

Cabe mencionar também que segundo o filósofo Zygmunt Bauman, o corpo social contemporâneo reflete o aspecto volátil das relações interpessoais em seus atos e pensamentos. Seguindo essa linha de raciocínio, os indivíduos se preocupam apenas com a própria realidade em detrimento do bem estar geral. Tal afirmação se correlaciona com o descarte de resíduos moderno, onde as pessoas acabam por descartar suas sobras em aterros ou até mesmo nas ruas por comodidade ao contrário de levarem a postos de reciclagem existentes nas proximidades. Como consequência, o meio ambiente acaba por se contaminar -em especial os solos, tendo-se um crescimento nos problemas comunitários como enchentes e circulação de doenças por exemplo.

Diante da discussão elencada, é necessário que a fim de minimizar o problema, o Estado tem a obrigação de promover campanhas de conscientização por meio de palestras e panfletos que estimulem os brasileiros a utilizarem seus bens o máximo de tempo possível, visando sempre o conserto desses recursos ao pararem de funcionar ao invés do descarte. Além disso, a Mídia com a finalidade de implantar uma melhora na qualidade de vida geral, deve conscientizar a nação acerca das vantagens ambientais e também sociais que a reciclagem trás. Isso pelo intermédio da promoção de propagandas acerca desse tipo de solidariedade na esfera televisiva e na internet. Com tais medidas, poder-se-á vislumbrar um futuro melhor para todos.