O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 25/10/2020
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que o lixo e a sociedade de consumo no Brasil dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto do espectro consumista encontrado no país, quanto da produção em massa. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.
Precipuamente, é fulcral pontuar o espectro consumista como impulsionador do problema. De acordo com Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, a falta de solidez nas relações sociais, políticas e econômicas é a característica da “modernidade liquida” vivida no século XXI. Diante de tal contexto, é perceptível que a logica de consumo passou a frente da logica moral, assim, as pessoas passaram a ser fortemente analisadas não pelo que elas são, mas pelo que elas compram. Dessa forma, impulsionando o consumo exacerbado, de produtos dispensáveis, em busca de aceitação, gerando o aumento do acumulo de lixo no planeta. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura de forma urgente.
Ademais, é imperativo ressaltar a produção em massa como promotor do problema. Produção em massa é a expressão utilizada para denominar uma estratégia de produção para estoque, na qual a ideia é a empresa produzir o suficiente para ter sempre o produto em estoque e, dessa forma, diminuir o prazo de entrega. Entretanto, apesar dos seus pontos positivos, não pode-se deixar de lado os inúmeros problemas causados por esse tipo de estratégia comercial, pode-se citar como exemplo o aumento da produção de resíduos, os quais, muitas vezes não são descartados de maneira adequada prejudicando a saúde ambiental do país. Diante desse quadro, não se pode adiar a preocupação dos órgãos governamentais em ajudar esses indivíduos da melhor maneira possível.
Infere-se, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem construir um mundo melhor. Dessa maneira, urge que o Poder Público – instituição de alta relevância para o país – incorpore projetos sociais para potencializar a qualidade de vida da população, por meio do incentivo a diminuição do consumo exacerbado, a fim de promover um mercado econômico mais sustentável. Paralelo a isso, o Ministério da Educação (MEC) deve instituir nas escolas palestras ministradas por especialistas, que discutam a importância do descarte de forma adequada e reciclagem na sociedade, a fim de que o tecido social se desprenda de certos tabus e posicione-se a favor de melhoras. A partir dessas ações espera-se promover uma melhora das condições educacionais e sociais desse grupo.