O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 26/10/2020
Sob a perspectiva do filósofo francês Jean-Paul Sartre, o homem é condenado a ser livre. Tal reflexão torna-se paradoxal diante da sociedade consumo, visto que o indivíduo vê uma necessidade artificial de comprar desenfreadamente. Diante dessa perspectiva, percebe-se que o excesso de dejetos gerados é uma questão de extrema importância. Nesse contexto, entre as principais causas que evidenciam a problemática, pode-se citar a obsolescência programada bem como o descaso do Governo.
Em primeiro plano, cabe pontuar que empresas propositalmente lançam mercadorias que se tornam inutilizáveis em um curto período de tempo. Isso pode ser explicado pelo sociólogo polonês Zygmunt Bauman em sua obra “Amor Líquido”, na qual menciona que vivemos em tempos líquidos, e nada é para durar. Sob esse viés, indústrias criam produtos de baixa durabilidade como estratégia para obter lucro, obrigando o consumidor a comprar itens novos e descartar os antigos. Consequentemente, tal situação se torna preocupante por acarretar uma quantidade maior de lixo gerada.
Outrossim, é notório que a ausência de políticas públicas corrobora com a perpetuação dessa temática. De acordo com informações do G1 em 2014, mais de 40% do lixo doméstico teve destino inadequado. Nesse contexto, a falta de investimentos torna o problema cada vez mais grave e negligenciado. Assim, nota-se que a sociedade não tem acesso aos meios corretos de despejo do lixo, que acaba em locais inadequados como lixões e não recebe o tratamento completo e a reciclagem. Por conseguinte, os resíduos prejudicam o meio ambiente, pois poluem o solo e os lençóis freáticos, podendo levar doenças à população.
Com o intuito de amenizar essa problemática, é importante que Empresas Privadas, por meio de ações com a Mídia, estimulem campanhas de conscientização, com objetivo de instruir a população acerca da importância do consumo consciente, para que haja cada vez menos descarte de produtos e, consequentemente, volume de lixo. Além disso, o Estado, em parceria com o Ministério do Meio Ambiente, deve criar políticas de união de municípios para estruturar aterros sanitários compartilhados, a fim de fornecer a atenção necessária ao problema e criar mudanças comportamentais nos indivíduos, minimizando prejuízos ambientais e proliferação de doenças. Dessa maneira, será possível a construção de uma sociedade menos consumista e mais consciente.