O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 26/10/2020

WALL-E, longa-metragem publicado pela Pixar no ano de 2008, retrata uma sociedade futurista distópica, a qual teve de evacuar seu planeta devido à produção exacerbada de detritos. Sob essa ótica, tal obra representa um possível futuro da sociedade de consumo capitalista hodierna, uma vez que a maioria dos países, destacando-se os subdesenvolvidos, tal qual o Brasil, emitem severas quantidades de lixo no meio ambiente, gerando assim diversos danos à fauna e flora local. Nessa perspectiva, destacam-se como causas geradoras da problemática a descartabilidade dos produtos e a ausência de programas que visem à redução da emissão de resíduos.

A priori, diversas empresas limitam a vida útil de seus produtos objetivando o aumento do consumo de tais e, consequentemente, a ampliação de seus lucros. Tal argumento reforça-se a partir da perspectiva do sociólogo Zygmunt Bauman, em sua tese a respeito da modernidade líquida, a qual debate acerca da constante mudança que passa a sociedade hodierna. Assim, com a evolução da sociedade capitalista, empresas, com o objetivo de aumentar seu capital, tiveram de encontrar novas estratégias de mercado, sendo uma delas a obsolescência programada, diminuindo a vida útil de seus produtos. Por conseguinte, as quantidades de resíduos emitidas apresentaram um aumento catastrófico, levando à superlotação de lixões e aterros sanitários e, consequentemente, a estragos na flora local.

Em segundo plano, órgãos governamentais, por muitas vezes estarem indiferentes perante a questão do lixo em seus territórios, deixam de cumprir com iniciativas que visem sua diminuição. Nesse viés, apenas em 2018, cerca de 80 milhões de toneladas de resíduos foram produzidas em território nacional. Logo, com a falta de investimentos, uma quantidade exacerbada de detritos é destinada a locais indevidos ou, em alguns casos, não havendo nem coleta, levando a diversos efeitos negativos. Outrossim, problemas como altas emissões de gás metano e a proliferação de doenças se tornam recorrentes nesses locais, afetando não só a comunidade local, como também a sociedade.

A partir dos fatos supracitados e com o objetivo de amenizá-los, o INMETRO – orgão responsável pelo controle de qualidade dos produtos comercializados em território nacional – deve realizar fiscalizações mais severas nas mercadorias que circulam no comércio brasileiro, através do investimento na maior capacitação de profissionais, com o intuito de garantir uma condição mínima em tais, visando sua maior durabilidade. Somado a isso, os governos municipais devem investir em programas que visem à coleta seletiva do lixo na sua localidade, por meio do encaminhamento de verbas para a realização de tais, garantindo assim uma redução significante da quantidade de detritos naquela área. Embasando-se nisso, a sociedade caminharia em direção a um rumo diferente daquele proposto pelo longa-metragem.